
O Bom Pastor (Foto: Instagram)
Há mais de um século, estudiosos destacam três minúsculos fragmentos de papiro escritos em grego koiné que figuram entre os vestígios mais antigos do Novo Testamento. Atribuídos ao Evangelho de Mateus, esses pedaços são conhecidos como Papiro Magdalen, ou P64, e hoje integram o acervo da Biblioteca do Magdalen College, da Universidade de Oxford. O reverendo Charles Bousfield Huleatt, que adquiriu os fragmentos em Luxor, no Egito, fez a doação em 1901, ampliando o estudo dos primórdios dos relatos sobre Jesus e o surgimento do cristianismo.
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Embora geograficamente distantes, os três fragmentos chegaram juntos a Oxford e logo chamaram a atenção por não pertencerem a um rolo: as inscrições aparecem em ambos os lados de cada pedaço, indicando um códice, formato equivalente a um livro encadernado. Essa característica aponta o P64 como um dos exemplares mais antigos desse tipo de material, demonstrando a evolução dos primeiros textos cristãos para estruturas que antecipavam os livros modernos.
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Nas linhas restantes, notam-se referências essenciais à trajetória de Jesus e à Galileia. Um dos trechos registra que algo foi derramado sobre “a cabeça dele enquanto estava à mesa” e descreve a reação dos discípulos, indignados com o ato. Esses detalhes reforçam o valor documental do P64, pois evidenciam passagens narradas em outros manuscritos posteriores, comprovando a antiguidade do texto.
No verso do mesmo fragmento, lê-se a fala de Jesus: “Todos vocês me abandonarão esta noite, pois está escrito…”. Em outro pedaço, reza: “Jesus percebeu isso e disse: ‘Por que estão perturbando a mulher? O que ela fez por mim…’”. No verso dessa última parte, surge a promessa: “Irei adiante de vocês para a Galileia”. Logo depois, Pedro questiona o mestre, trazendo à tona a figura de Pedro em uma das cenas cruciais do evangelho.
O terceiro fragmento menciona Judas Iscariotes de forma clara: “Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi aos principais sacerdotes e disse: ‘O que vocês estão dispostos a me dar…’”. No lado oposto, há o relato da inquietação dos discípulos: “Eles ficaram muito aflitos e começaram a perguntar, um por um: ‘Não sou eu, Senhor, sou?’”. O estudo dessas passagens oferece pistas sobre a composição textual e as tradições orais que deram origem aos evangelhos canônicos.
Entre os especialistas que examinaram o P64, destaca-se o doutor Jeremiah Johnston, que descreveu sua experiência como impactante. Segundo Johnston, ter acesso direto a um artefato de 2.000 anos permitiu-lhe “segurar um fragmento verdadeiro” e sentir que “a balança da verdade pende a favor do cristianismo”. Atualmente, esses valiosos pedaços de papiro permanecem guardados na Universidade de Oxford, sendo objeto de pesquisa e fascínio para historiadores, teólogos e curiosos em todo o mundo.







