
Especialista destaca futuro da tecnologia em conferência (Foto: Instagram)
Nos últimos anos, o pesquisador britânico Carl Miller se aprofundou nos cantos mais secretos da internet — a chamada dark web — em busca de compreender como funcionam esses ambientes anônimos. Durante uma de suas investigações, ele encontrou algo que, segundo ele, se tornou a experiência mais perturbadora de toda a sua trajetória profissional.
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Em uma apresentação no TED, Carl Miller relatou ter descoberto um site que mantinha uma “lista de mortes”: ali, usuários publicavam nomes de pessoas que queriam ver assassinadas e atribuíam valores em dinheiro aos crimes pretendidos. Esse espaço oculto agregava pedidos macabros e funcionava em total segredo, alimentado pelo sistema de pagamentos anônimos da dark web.
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Ao se deparar com as ameaças e os valores oferecidos pelos usuários, Carl Miller descreveu o material como “a coisa mais grotesca, perturbadora, horrível e assustadora” que já precisou ler. Ele destacou ainda que essa relação entre nomes e quantias crescia dia a dia, revelando a expansão constante daquela lista sombria.
A descoberta ocorreu em plena pandemia de COVID-19, quando o isolamento limitava o contato presencial. Após meses confinados, as primeiras pessoas que Miller conseguiu encontrar cara a cara foram dois agentes da Polícia Metropolitana de Londres. Levando todas as anotações, registros de invasões e a estrutura do site, ele apresentou um diagrama completo de seu funcionamento aos oficiais.
Naquele encontro, Carl Miller explicou cada detalhe: desde a origem das postagens até os fluxos de pagamento via criptomoedas, passando pelos métodos de comunicação usados pelos supostos contratantes. Porém, em vez de indignação imediata, os agentes reagiram com espanto e trocaram olhares desconfiados, temendo que aquele relato pudesse indicar algum problema mental do pesquisador. Diante disso, a polícia optou por não instaurar uma investigação naquele momento.
Sem respaldo oficial, Miller decidiu agir por conta própria e entrou em contato telefônico com alguns dos nomes listados como alvos de homicídio. Ele ligava para alertar as vítimas de que alguém havia oferecido dinheiro para que fossem mortos. Em uma das ligações reproduzidas durante o TED, o homem ao ouvir o aviso limitou-se a dizer: “Eu não me importo”. Após uma semana repetindo o procedimento, a maior parte desligava o telefone ou duvidava da veracidade da ameaça.
Diante da descrença, Carl Miller recorreu à imprensa local para dar visibilidade às ligações. Com a participação de jornalistas, algumas das pessoas passaram a levar o assunto a sério, pois perceberam que não se tratava de trote. Ao aprofundar sua análise sobre o funcionamento do site, ele concluiu que não havia um grupo de assassinos profissionais por trás das ofertas: tratava-se de um golpe de extorsão, cujo objetivo era arrancar o máximo de dinheiro possível de quem solicitava o crime. Ainda assim, destacou o pesquisador, o fato de as pessoas acreditarem genuinamente poder encomendar homicídios revela até onde alguns estão dispostos a ir quando se sentem protegidos pelo anonimato da dark web.







