
Mojtaba Khamenei em sua primeira aparição oficial como novo líder supremo do Irã (Foto: Instagram)
A tensão entre os Estados Unidos e o Irã se aprofundou após a morte do aiatolá Ali Khamenei, atribuída a bombardeios americanos e israelenses, e ganhou novo capítulo quando a Assembleia de Especialistas escolheu Mojtaba Khamenei como líder supremo, ao mesmo tempo em que o presidente Donald Trump e autoridades iranianas trocaram ameaças diretas na mídia internacional.
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Ali Khamenei havia assumido como líder supremo do Irã em 1989, sucedendo Ruhollah Khomeini, mentor da Revolução Islâmica de 1979, e desde então exercia influência absoluta sobre as Forças Armadas, a política externa e as instituições religiosas do regime.
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Enquanto a cerimônia de sucessão se desenrolava em Teerã, Mojtaba Khamenei passou a reagir às duras declarações do presidente Donald Trump, publicadas em sua plataforma Truth Social, num embate retórico que elevou o clima de hostilidade entre a Casa Branca e o governo iraniano.
Uma das respostas mais contundentes partiu de Ali Ardashir Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. Em mensagem oficial divulgada após comentários do presidente norte-americano, Larijani afirmou: “A nação de Ashura do Irã não tem medo de suas ameaças vazias. Até pessoas maiores do que você não conseguiram eliminar a nação iraniana. Tenha cuidado para não ser eliminado”.
A nota de Larijani, assinada pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional e datada de Teerã, chegou dez dias depois da confirmação da morte do aiatolá Ali Khamenei. Essa troca de provocações ocorre em meio a outras ameaças recentes: em fevereiro de 2025, no Salão Oval da Casa Branca, Trump declarou que qualquer tentativa de assassiná-lo por parte do Irã teria “consequências extremas” – segundo ele, “serão obliterados. Não restará nada”.
Grande parte dessa escalada gira em torno do Estreito de Hormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, com o território iraniano ao norte e Emirados Árabes Unidos e Península Arábica ao sul. Considerado estratégico para o escoamento de petróleo, o corredor serve Kuwait, Bahrein, Catar, Arábia Saudita e Iraque.
Estima-se que cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente atravesse o Estreito de Hormuz, seja rumo ao Canal de Suez pelo Mar Vermelho ou em direção a país como Paquistão e Índia. Qualquer ameaça à navegação nesse ponto crítico provoca impactos imediatos nos mercados internacionais.
Nos últimos dias, o tráfego reduziu-se drasticamente: de cerca de 100 navios diários para um contingente bem menor, com algumas embarcações desligando transponder ou se identificando como operadas por empresas e tripulação chinesa para diminuir riscos. Em resposta, os Estados Unidos anunciaram um programa de resseguro de cerca de 20 bilhões de dólares para cobrir possíveis prejuízos e Trump incentivou as tripulações a “mostrar coragem” e manter a rota aberta.
Mesmo com a navegação restrita, os mercados de energia já registraram aumento de preços: o barril de petróleo chegou a cotar aproximadamente 119 dólares durante o pico das tensões.







