Entidades denunciam ameaças a repórteres que cobrem internação de Bolsonaro

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Câmeras montadas em frente ao Hospital DF Star durante cobertura da internação de Jair Bolsonaro em Brasília (Foto: Instagram)

Organizações de jornalistas divulgaram notas públicas relatando ameaças e agressões a profissionais que acompanham a internação de Jair Bolsonaro em frente ao Hospital DF Star, em Brasília. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal afirmam que seus colegas foram alvo de ataques virtuais e presenciais após a circulação de um vídeo nas redes sociais.

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Segundo a Abraji, uma influenciadora digital bolsonarista compartilhou um vídeo acusando jornalistas de desejarem a morte do ex-presidente. Nas imagens, aparecem repórteres aguardando informações sobre o estado de saúde de Bolsonaro em frente ao hospital. O material acabou viralizando após ser republicado por deputados e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem mais de 8 milhões de seguidores nas redes sociais.

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Em nota, a Abraji classificou como irresponsável a divulgação sem checagem prévia e afirmou que o vídeo foi manipulado para expor jornalistas que “estavam simplesmente exercendo seu trabalho” a ameaças e difamações. A associação protestou contra o uso da influência de parlamentares e de figuras públicas para orquestrar campanhas de difamação e incitar violência, ressaltando que tal comportamento atenta contra a liberdade de imprensa e a democracia.

A Abraji também informou que os ataques ultrapassaram o ambiente digital: ao menos duas repórteres teriam sido reconhecidas e hostilizadas nas ruas de Brasília. Além disso, circularam montagens e vídeos produzidos com o uso de inteligência artificial, incluindo simulações de esfaqueamento de uma das profissionais. Para agravar a situação, fotos de filhos e parentes de jornalistas foram divulgadas em grupos e redes como estratégia de intimidação.

Em comunicado conjunto, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do DF defenderam que é responsabilidade do Estado garantir a segurança de quem cobre assuntos de interesse público. As entidades informaram que solicitarão reforço da Polícia Militar do Distrito Federal em frente ao hospital, com o objetivo de prevenir agressões ou tentativas de cerceamento ao trabalho jornalístico. Também pedem a investigação das ameaças virtuais e a identificação dos responsáveis pela exposição indevida de dados pessoais.

Jair Bolsonaro está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star desde sexta-feira, 13 de março, para tratar broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. Segundo boletim médico, o quadro clínico é estável e houve melhora na função renal entre sábado (14) e domingo (15), mas os médicos decidiram aumentar a dosagem de antibióticos devido ao aumento de marcadores inflamatórios. Não há previsão de alta da UTI. Após recuperação, ele retornará ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.