
Daniel Vorcaro em registro de prisão pela Polícia Federal (Foto: Instagram)
A defesa do empresário Daniel Vorcaro submeteu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, em 19 de março de 2026, uma proposta considerada inédita para a celebração de um acordo de colaboração premiada. A sugestão prevê que Polícia Federal (PF) e Procuradoria-Geral da República (PGR) participem de forma conjunta nas negociações e redijam em conjunto os termos do pacto. Segundo os defensores, essa configuração busca prevenir questionamentos jurídicos futuros quanto à validade e eficácia da delação.
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O documento foi apresentado ao magistrado pelo advogado José Luís de Oliveira Lima, representante legal de Vorcaro, que é proprietário do Banco Master. Fontes próximas ao processo relatam que o ministro Mendonça sinalizou receptividade ao modelo proposto, abrindo caminho para a discussão de como o mecanismo poderá ser implementado na prática. Ainda não há definição sobre o cronograma ou o alcance das informações que serão objeto de eventual acordo.
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Tradicionalmente, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República mantêm posições distintas sobre qual entidade deve conduzir o protagonismo nas investigações criminais, conflito que está em debate há anos no próprio STF. Integrar ambos os órgãos desde o início das negociações representaria um marco inédito, inclusive em levantamentos de grande porte, como os realizados na Operação Lava Jato. A iniciativa dos advogados de Vorcaro pretende explorar essa sinergia para reforçar a solidez do acordo e garantir sua homologação sem recursos.
Além das questões institucionais, o caso de Daniel Vorcaro reúne complexidade adicional em razão das supostas redes de relacionamento político e empresarial atribuídas ao banqueiro. De acordo com relatos, o empresário teria conexões com diversos agentes públicos, de múltiplas legendas, o que demandaria um alinhamento cuidadoso entre as partes envolvidas. A inexistência de consenso, até o momento, sobre o formato final do pacto reflete justamente o desafio de compatibilizar interesses e proteger dados sensíveis.
Fontes ouvidas pela reportagem indicam que a defesa planeja iniciar a delação trazendo informações sobre políticos, mas evitando envolver magistrados do Supremo Tribunal Federal. A avaliação é de que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, dificilmente aprovaria colaboração que tivesse como alvo integrantes da Corte. Ademais, a relação entre Mendonça e Gonet é tida como distante, especialmente após divergências diante de fases recentes das investigações, o que adiciona mais um elemento de cautela à estratégia.
Apesar das barreiras políticas e institucionais, interlocutores consideram que o modelo sugerido pode resultar numa “delação robusta”, capaz de fornecer contribuições substanciais ao andamento de investigações sobre possíveis ilícitos cometidos por Vorcaro. O otimismo quanto à seriedade do compromisso decorre do entendimento de que o acordo, se aprovado com a participação conjunta da PF e da PGR, terá requisitos de segurança jurídica e mais respaldo para revelar eventuais irregularidades nas atividades empresariais e nas articulações políticas do empresário.
