O entomologista Justin Schmidt se submeteu voluntariamente a mais de mil picadas de insetos ao longo da carreira para criar uma escala capaz de medir a dor das ferroadas. A iniciativa, considerada incomum, surgiu após uma experiência pessoal e resultou na chamada “Escala de Dor Schmidt”, hoje referência científica.
A motivação começou durante um estudo com formigas-de-fogo. “Eu e Debbie estávamos estudando a formiga-de-fogo (Pogonomyrmex) e fomos picados. A dor era como se a minha pele tivesse sido rasgada, foi diferente de tudo o que eu já tinha experimentado. Fiquei intrigado”, relatou a revista Superinteressante.
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A partir disso, ele passou a registrar cada sensação. “Toda vez que era picado por insetos diferentes, eu descrevia a dor em diários. Também perguntava para colegas entomologistas sobre as ferroadas que eles tinham levado, e pedia que eles as descrevessem”, explicou.
Com os dados, Schmidt criou uma escala que vai de 0 a 4, tendo como referência intermediária a picada de abelha. Nos níveis mais altos estão insetos com ferroadas consideradas extremamente dolorosas.
Entre eles, o cientista destacou a formiga tucandeira, que possui uma das picadas mais dolorosas do mundo e causa uma dor que se assemelha a um tiro. “É como andar sobre brasas com pregos grossos e compridos enfiados sob as solas dos seus pés”, descreveu.
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Ao longo dos anos, ele acumulou experiências diretas com diferentes espécies. “Mais de mil vezes: metade por abelhas comuns, um quarto por formigas e o resto por outros insetos, principalmente vespas”, afirmou. Segundo Schmidt, a intensidade da dor está ligada à evolução. Insetos que vivem em grupo, como abelhas, vespas e formigas, desenvolveram ferroadas mais potentes como forma de defesa.
Apesar da rotina extrema, ele relatou ter sentido medo em apenas uma ocasião. “Só em uma situação: certa vez, eu estava experimentando a picada de abelha, e o apicultor entrou em pânico e fugiu. Aí, eu pensei: ‘Se o cara que mais conhece essas abelhas está com medo, não sou eu que vou ficar tranquilo’. E, claro, fugi também!”, contou.
Para o pesquisador, o maior risco não está na dor, mas nas doenças transmitidas por insetos, como o Aedes aegypti.

