
Vista interna do estádio do Morumbi, alvo de investigação sobre venda irregular de camarotes. (Foto: Instagram)
Um relatório elaborado pela Polícia Civil de São Paulo destaca a existência de uma associação criminosa profissionalizada responsável pela exploração ilegal de camarotes no estádio do Morumbi. O documento, parte de um inquérito do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), foi divulgado pelo ge e aponta como a organização coordenava a venda irregular de espaços VIP, mantendo lucro e participação definidos previamente entre os membros. A investigação envolve dados financeiros e operacionais que levantam suspeitas sobre acertos internos e movimentações bancárias correlatas.
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A apuração identifica quatro pessoas como sócios informais no esquema: Rita de Cássia Adriana Prado, Mara Casares, Douglas Schwartzmann e Marcio Carlomagno. Este último, ex-superintendente geral do clube, aparece pela primeira vez mencionado diretamente como integrante do grupo, o que amplia o escopo das responsabilidades investigadas. Segundo o relatório, os sócios mantinham divisão fixa de lucros e repartiam funções operacionais e estratégicas para garantir o funcionamento da rede de vendas clandestinas.
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As conclusões se apoiam principalmente em um caderno apreendido em janeiro deste ano durante uma operação policial. Nele foram identificadas anotações detalhadas sobre valores a serem distribuídos, tarefas de cada participante e registros que indicam conhecimento prévio das irregularidades. As escritas incluem códigos e siglas que, segundo os investigadores, serviam para mascarar a real origem das receitas e dificultar rastreamento externo dos movimentos financeiros.
De acordo com o DPPC, o grupo atuou entre março de 2023 e fevereiro de 2025, período em que diversos shows e eventos realizados no Morumbi foram explorados de forma clandestina. O material de venda era comercializado a preços superiores ao valor oficial de ingressos e espaços de camarote, gerando receita acima do registrado nos canais autorizados. A investigação aponta Adriana Prado como responsável pela logística e administração financeira, organizando pagamentos e repasses aos demais envolvidos.
O relatório descreve ainda as anotações apreendidas como um mecanismo de “controle interno” do esquema, reforçando a tese de uma organização estruturada. Os papéis registravam percentuais de lucros, funções específicas — como captação de clientes, distribuição de bilhetes e setor de logística — e demonstravam hierarquia clara entre os envolvidos. Esses indícios, segundo a Polícia Civil, comprovam uma divisão de responsabilidades que caracterizaria associação criminosa nos termos do Código Penal.
As defesas dos citados emitiram pareceres contestando as conclusões policiais, sustentando que o conteúdo do caderno é interpretativo e não estabelece concretamente a prática de crimes. Segundo os advogados, não há provas de movimentações financeiras ilícitas diretamente atribuíveis aos acusados. O caso segue sob sigilo judicial, com novas diligências planejadas pelo DPPC e possibilidade de o inquérito ser remetido ao Ministério Público após encerramento das investigações.
