
Policial militar Gisele Alves vivia sob controle e foi morta pelo marido, afirma MP (Foto: Instagram)
A policial militar Gisele Alves Santana relatou à Justiça que vivia amedrontada e sob forte controle do marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, antes de ser encontrada morta. Segundo o Ministério Público, depoimentos apontam para um histórico de ciúmes extremo e submissão forçada, levando as investigações a descartarem a hipótese de suicídio e a autorizarem denúncia por feminicídio e fraude processual.
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Conforme testemunhas, Gisele confessou a colegas que se sentia sufocada no relacionamento e afirmava viver sob vigilância constante. Ela descrevia o oficial como alguém que monitorava cada passo seu, tanto no trabalho quanto na esfera pessoal. Esses relatos formam o cerne da acusação oferecida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, que transformou o caso em ação penal.
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Dias antes de morrer, Gisele questionou uma amiga se o marido teria coragem de matá-la e dizia viver “um limite extremo”. Ela teria declarado em conversas com colegas de farda: “Ou ele me mata, ou eu mato ele para me proteger”. Esses fragmentos estão registrados no inquérito que tramita na 2ª Vara de Violência Doméstica de São Paulo.
As testemunhas detalham um padrão de vigilância constante: o tenente-coronel manipulava escalas para coincidir com os turnos da esposa e, em várias ocasiões, escalava Gisele como auxiliar em sua viatura. Em outras situações, chegou a oferecer dinheiro para que ela não comparecesse ao trabalho, evidenciando o caráter autoritário do relacionamento.
O controle se estendia à vida íntima de Gisele: ela não podia usar maquiagem ou perfume em casa e tinha todas as interações nas redes sociais supervisionadas. Um depoimento menciona que a policial bloqueou colegas homens em perfis virtuais, sem definição clara sobre se isso partiu de sua vontade ou de imposição do marido.
Há também registros de violência física. Em um episódio dentro do quartel, o tenente-coronel teria enforcado a policial e a pressionado contra a parede. Cenas de invasão ao local de trabalho e tentativas de escuta escondida ainda completam o histórico de agressões. A filha do casal, de 7 anos, teria apresentado perda de peso e enurese noturna em função do clima de tensão.
Gisele foi encontrada ferida por disparo no dia 18 de fevereiro, no apartamento do casal no Brás, zona central de São Paulo. Socorrida e levada ao Hospital das Clínicas, ela não resistiu aos ferimentos. A perícia concluiu que a dinâmica do tiro era incompatível com suicídio, e colegas afirmam que ela nunca demonstrou intenção de tirar a própria vida.
Baseada nessas evidências, a Justiça decretou a prisão preventiva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto em 18 de março, em São José dos Campos. Ele foi denunciado por feminicídio e fraude processual, acusado de alterar o local do crime para confundir a investigação, motivação torpe e uso de recursos que dificultaram a defesa de Gisele.
