Julgamento do caso Henry Borel começa nesta segunda e promotor destaca tática da defesa

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Leniel Borel ao lado do filho Henry em momento de celebração familiar (Foto: Instagram)

Nesta segunda-feira (23), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro inicia o julgamento sobre a morte de Henry Borel, de 4 anos. Estão no banco dos réus Monique Medeiros da Costa, mãe da criança, e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, apontado como padrasto do menino. A sessão acontece no fórum de Jacarepaguá, na Zona Oeste.

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O promotor Fábio Vieira, responsável pela acusação, afirmou em entrevista ao Fantástico que as defesas devem recorrer a manobras para atrasar e desorganizar o julgamento. Ele qualificou Monique como narcisista, sempre em busca de vantagens a qualquer custo, e descreveu Jairinho como alguém com traços psicopáticos, conforme sua avaliação técnica.

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A defesa de Jairinho sustenta que Henry pode ter sofrido um acidente enquanto estava sob os cuidados do pai, Leniel Borel. Os advogados questionam a profundidade das investigações e afirmam que situações como uma queda em parque infantil ou outro incidente ocorrido até 72 horas antes da morte não foram devidamente exploradas pela perícia.

A Promotoria, no entanto, rejeita totalmente qualquer possibilidade de acidente. Fábio Vieira destaca que o laudo pericial aponta laceração no fígado do menino, caracterizando agressão. Cristiano Rocha, advogado de Leniel, reforça essa linha ao afirmar que “a ciência comprova que Henry foi morto por Jairo”, mantendo o foco no ex-vereador.

Os defensores de Jairinho também acusam Leniel de interferir nos exames do Instituto Médico Legal, alegando que o laudo passou por seis versões diferentes sob suposta pressão do pai. Conforme Fabiano Lopes, houve manipulação para incriminar o ex-vereador. O promotor Fábio Vieira rebate essas alegações, assegurando que ninguém teve poder para influenciar as investigações.

A defesa de Monique Medeiros pretende atribuir toda a responsabilidade a Jairinho, argumentando que ela não sabia das agressões sofridas pelo filho e foi enganada pelo ex-vereador. Conforme os advogados, Monique só compreendeu a gravidade dos fatos após ser presa, quando pôde reunir provas que montaram o “quebra-cabeça” do caso.

Henry Medeiros Borel foi encontrado agonizando em 8 de março de 2021, no apartamento em que vivia com a mãe e o padrasto em Jacarepaguá. O episódio gerou grande repercussão nacional e resultou na promulgação da Lei Henry Borel, que aumentou sanções para crimes contra crianças e adolescentes e instituiu medidas protetivas específicas para vítimas de violência doméstica.

No desenrolar do processo, Jairinho permanece preso e é acusado de homicídio triplamente qualificado, com emprego de tortura, motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima. Monique responde em liberdade pelos crimes de homicídio e omissão de socorro. O veredicto final é aguardado como marco em um dos casos mais impactantes do país.