
Tenente-coronel alega dívidas da esposa como motivo para adiar divórcio (Foto: Instagram)
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto disse, em depoimento à Polícia Civil, que as obrigações financeiras da soldado Gisele Alves Santana foram determinantes para que o casal não formalizasse o divórcio. Ele relatou que boa parte da renda da mulher estava comprometida com empréstimos bancários e outras despesas, o que, na avaliação dele, tornaria impossível à policial manter a si e à filha em caso de separação.
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Geraldo Neto está preso preventivamente desde o dia 18 de março e se tornou réu pelos crimes de feminicídio e fraude processual. Ele é apontado como o autor do disparo que matou a esposa com um tiro na cabeça, no apartamento do casal no bairro do Brás, em São Paulo. Durante o interrogatório, afirmou que as discussões sobre o término do relacionamento ocorriam desde novembro, quando Gisele teria admitido não dispor de condições financeiras para viver por conta própria.
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Conforme o depoimento do oficial, parte do salário da soldado era consumida por operações de crédito e boletos. Ele alegou que os recursos teriam sido aplicados na construção de um imóvel para os pais dela e em intervenções estéticas, incluindo colocação de próteses de silicone, rinoplastia e bichectomia. Após todos os descontos, restariam à policial menos de R$ 1 mil por mês para arcar com suas despesas básicas.
O tenente-coronel ainda contou que transferia entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil mensalmente para a esposa, além de bancar cerca de R$ 10 mil em gastos com o lar. Para assegurar autonomia financeira a Gisele, relatou ter procurado contatos da assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo para tentar uma vaga de assessoramento. Segundo ele, o cargo oferecia um adicional de aproximadamente R$ 5 mil e já teria sido confirmado para início em 2 de março, após o carnaval, elevando o salário dela para cerca de R$ 6 mil.
No relato sobre o dia anterior ao crime, Geraldo declarou que ambos foram à academia em horários diferentes—ele das 8h às 9h e ela das 9h às 10h—e que, de volta ao apartamento, ela permaneceu na suíte cuidando da filha. Ele afirmou ter trazido uma marmita por volta do meio-dia, seguido de uma tarde em que ficou na sala assistindo televisão. Às 18h30, sugeriu tomar café juntos no sofá, ocasião em que relembraram aspectos positivos e negativos do casamento.
Depois dessa conversa, os dois teriam mantido relação sexual e decidido adiar a questão da separação para o dia seguinte, 18 de fevereiro. Cada um teria se recolhido em quartos distintos; o oficial afirmou ter rezado e refletido sobre a situação antes de dormir.
O Ministério Público defende que peritos, mensagens extraídas e a reconstituição do crime apontam para homicídio, já que o marido teria segurado a cabeça da vítima antes de disparar, e depois manipulado a cena para simular suicídio, motivando também a acusação de fraude processual. Imagens das câmeras corporais de policiais militares presentes no local mostram o tenente-coronel circulando pelo imóvel contra orientação de preservar a cena, postura que, para investigadores, fragilizou sua versão de suicídio.
Caso pode ser levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, pois o feminicídio é crime doloso contra a vida. O Ministério Público requereu indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima. A defesa nega a autoria do crime, sustenta a tese de suicídio e questiona a competência da Justiça Militar. Em 20 de março, o Superior Tribunal de Justiça rejeitou pedido de liberdade de Geraldo Neto, via relator ministro Reynaldo da Fonseca.







