
Policiais civis periciam residência do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto em São Paulo (Foto: Instagram)
Gravações recentes analisadas pela Polícia Civil expõem divergências no depoimento do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a soldado Gisele Alves Santana em São Paulo. Os áudios revelam versões conflitantes sobre vestígios no imóvel, tempo de socorro e posicionamento da arma, reforçando as suspeitas contra o oficial, que segue preso por feminicídio e fraude processual.
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O SBT News obteve novos trechos em que o militar atribui marcas de sangue e impressões digitais encontradas em diversos pontos da casa — como uma bermuda, toalha, torneiras, paredes e o box do banheiro — à ação do Corpo de Bombeiros durante o atendimento. A perícia, no entanto, não sustenta essa interpretação e registra contradições na fala do oficial em relação ao cenário do crime.
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Em seu depoimento, Rosa Neto afirmou categoricamente: “Eu não encostei no corpo em nenhum momento, nem na arma”. Questionado sobre a possibilidade de a perícia encontrar sangue no chão do banheiro, ele declarou: “Eu acredito que sim, porque minha não é, porque eu pisei lá”. Para os investigadores, esse posicionamento contradiz os vestígios coletados no local.
Outro aspecto que chamou atenção da polícia foi o detalhamento que o oficial fez dos gastos estéticos da esposa. Durante o interrogatório, ele listou procedimentos como prótese de silicone, rinoplastia, bichectomia, aplicação de botox e preenchimento labial, mencionando despesa aproximada de R$ 40.000 e um financiamento bancário em dez anos para custear as intervenções.
Os investigadores também registraram inconsistências no relato sobre o acionamento de ajuda. Segundo o inquérito, houve um intervalo de cerca de 30 minutos até o pedido de socorro, sem qualquer tentativa de primeiros atendimentos à vítima. Quando questionado sobre isso, o tenente afirmou: “Eu tinha noção de que ela ia morrer! Um tiro na cabeça, disparado por uma arma calibre .40, tem chance mínima de sobrevivência.”
A posição da arma de fogo no local gerou nova divergência. Em certo momento, o oficial disse que o objeto estava com a vítima; mais tarde, ao ser confrontado com os dados da reconstituição, negou qualquer discrepância: “Jamais! Se falaram isso, colocaram palavras na minha boca.” Tais contradições reforçam as suspeitas de manipulação de prova.
A soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta em 18 de fevereiro. Classificando o episódio como suicídio, Rosa Neto alegou que a esposa teria disparado contra si após discussão sobre separação. A Polícia Civil de São Paulo segue investigando o caso, e o tenente-coronel permanece detido, respondendo pelos crimes de feminicídio e fraude processual.
