Site icon Jetss BR

Álbum de reconhecimento da Polícia Civil de Pernambuco inclui fotos de Salabert e Hilton


Álbum policial inclui fotos de Duda Salabert e Erika Hilton e levanta suspeita de racismo e transfobia (Foto: Instagram)

Fotos das deputadas federais Duda Salabert (PDT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP) foram inseridas em um álbum de fotografia usado pela Polícia Civil de Pernambuco para o reconhecimento de suspeitos. O caso ganhou repercussão após a Defensoria Pública do Estado enviar um ofício ao gabinete de Salabert apontando indícios de racismo e transfobia na escolha das imagens. Segundo o documento, não havia semelhanças entre as parlamentares e o suspeito investigado, o que levanta questionamentos sobre os critérios adotados pela corporação para selecionar as fotos.

++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático

De acordo com a Defensoria Pública de Pernambuco, o álbum foi utilizado em uma investigação sobre um roubo qualificado seguido de tentativa de estelionato eletrônico, registrado em fevereiro de 2025 no bairro de Boa Vista, no centro do Recife. O reconhecimento fotográfico teria ocorrido semanas depois do crime, mas as imagens de Salabert e Hilton não guardavam qualquer semelhança física com a pessoa apontada como suspeita. Para o órgão, isso evidencia falhas no procedimento de identificação.

++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein

No ofício encaminhado ao gabinete de Salabert, a defensora pública Gina Ribeiro Muniz questionou se a seleção das imagens não teria sido motivada por estereótipos raciais e de gênero. Segundo ela, a única razão plausível para incluir justamente duas mulheres negras e trans num álbum de reconhecimento, sem base em traços físicos compatíveis com a descrição do suspeito, seria o preconceito institucional.

A assessoria de Duda Salabert esclareceu que a deputada não esteve em Recife na data do crime e repudiou a conduta da Polícia Civil. Em nota, Salabert afirmou que o episódio não se trata de um equívoco isolado, mas de uma “cultura institucional” que associa corpos trans e negros à criminalidade. “Não é erro. É estrutura. Esse episódio escancara uma cultura institucional que ainda associa corpos trans e negros à criminalidade”, declarou a parlamentar.

O mandato de Salabert informou que já solicitou a abertura de apuração interna e vai cobrar explicações formais das autoridades envolvidas. Segundo a deputada, serão adotadas todas as medidas legais para garantir que casos semelhantes não ocorram novamente e para responsabilizar os responsáveis pela seleção tendenciosa das imagens.

Exit mobile version