
Ex-presidente Jair Bolsonaro sob prisão domiciliar em Brasília (Foto: Instagram)
A recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de autorizar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro despertou comemorações na oposição, mas também acendeu alertas entre aliados do ex-presidente em relação ao impacto dessa medida na campanha presidencial de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. A preocupação central é que o retorno ao ambiente doméstico possa ampliar a influência de Bolsonaro nos bastidores políticos.
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Líderes do centrão e representantes da direita consideram que, sob prisão domiciliar, Bolsonaro terá maior conforto para participar de reuniões e discussões estratégicas. Ainda que haja restrições quanto às visitas, o ex-presidente poderá manter contato direto com Flávio, que também atua como seu advogado e deve atuar como elo principal entre ele e as equipes de campanha.
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Entretanto, cresce o temor de que o ex-presidente exerça uma interferência direta na campanha de Flávio, comprometendo acordos políticos já firmados pelo senador. Aliados advertiram para o risco de Bolsonaro superar os limites estabelecidos pela Justiça, o que poderia ensejar a suspensão do benefício e a volta ao regime fechado. Essa apreensão reflete o receio de que o peso político do clã Bolsonaro seja exacerbado pela liberdade de movimentação domiciliar.
Conforme a decisão do STF, Bolsonaro está proibido de usar celular, telefone ou quaisquer meios de comunicação externos, diretos ou indiretos, sob pena de regressão imediata ao presídio federal de segurança máxima, a Papudinha. O benefício foi concedido por 90 dias devido ao tratamento de saúde do ex-presidente, e o descumprimento dos termos pode resultar no restabelecimento do regime fechado, conforme previsto na determinação judicial.
Atualmente internado no hospital DF Star, em Brasília, Bolsonaro trata de uma broncopneumonia, segundo informações do cardiologista Brasil Caiado. A expectativa é de alta na próxima sexta-feira, dia 27 de março. A condição de saúde foi apontada como fator primordial para a concessão do regime domiciliar, garantindo ao ex-presidente cuidados médicos adequados longe das instalações prisionais.
Nos bastidores, aliados avaliam que a prisão domiciliar fortalece o papel de Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, que terá acesso irrestrito ao marido. Segundo interlocutores, ela foi peça-chave no pedido de domiciliar junto ao STF e demonstrou habilidade de diálogo em um momento de alta tensão. A tendência é que Michelle amplie sua influência dentro do grupo político, atuando como a principal conselheira de Jair Bolsonaro em casa.
Enquanto isso, no PL, a candidatura de Flávio Bolsonaro segue considerada consolidada, mas com fortes atividades de monitoramento para avaliar eventuais interferências paternas. No campo adversário, lideranças do PT enxergam os 90 dias como um teste de obediência às restrições judiciais e observam com atenção qualquer sinal de descumprimento. O período também servirá de termômetro para entender se a medida afetará a dinâmica eleitoral em curso.







