Furto de vírus na Unicamp: saiba como o crime foi executado e os riscos envolvidos

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Laboratório de biossegurança da Unicamp sob investigação após furto de amostras virais de alto risco (Foto: Instagram)

O furto de material biológico em um laboratório da Unicamp, em Campinas (SP), suscitou dúvidas sobre possíveis repercussões à saúde pública. Especialistas apontam que, apesar da preocupação, o risco imediato de um surto ou contaminação é considerado baixo, desde que se respeitem os protocolos de contenção e manipulação.

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A Polícia Federal investiga como a professora Soledad Palamenta Miller conseguiu retirar amostras de alta periculosidade do Laboratório de Virologia Aplicada. Sem um espaço próprio na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), ela teria contado com o auxílio de uma aluna de mestrado para acessar áreas restritas e remover caixas com o material viral.

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O sumiço das amostras foi percebido em 13 de fevereiro. Durante as apurações, apurou-se que várias porções foram transferidas sem autorização para freezers de outros pesquisadores e manipuladas em locais improvisados. Em uma das salas, trechos do conteúdo biológico apareceram descartados em lixeiras comuns, fato que motivou alertas imediatos da Anvisa e do Ministério da Agricultura.

Para dimensionar o perigo, o virologista Paulo Eduardo Brandão, da USP, explicou em artigo que o laboratório da Unicamp opera no Nível de Biossegurança 3 (NB-3), indicado para patógenos transmitidos por aerossóis e capazes de causar doenças graves. Segundo o pesquisador, os vírus potencialmente subtraídos incluem SARS-CoV-2, Oropouche, Zika, Chikungunya, H5N1 (gripe aviária), H1N1, H3N2, bocavírus e agentes que afetam animais, como os causadores da doença de Newcastle, Gumboro, coronavírus aviário e cinomose.

Embora reconheça o caráter grave da falha de segurança, Brandão afirma não haver indícios de que algum vírus retirado possa provocar uma ameaça global comparável à varíola. O principal risco, segundo ele, reside na exposição acidental dos responsáveis pela manipulação sem o uso de equipamentos de proteção individual, como roupas pressurizadas e cabines de biossegurança.

A Polícia Federal apura também se a motivação do furto foi financeira ou científica. A professora Soledad Miller detém uma patente relacionada a partículas imunomoduladoras com fins terapêuticos antitumorais. Ela responde agora por furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.

A Reitoria da Unicamp instaurou processos internos para avaliar a conduta da docente e da aluna envolvida. As amostras recuperadas nos laboratórios de Engenharia Metabólica e de Doenças Tropicais seguem em análise técnica, com o objetivo de verificar eventual contaminação ambiental ou perda definitiva das cepas originais.