IBGE aponta que meninas de 13 a 17 anos têm mais tristeza que meninos; entenda

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Menina adolescente isolada e abatida após sofrer pressão e violência (Foto: Instagram)

Um estudo recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trouxe à tona um quadro alarmante sobre a saúde mental dos adolescentes no Brasil, com destaque para o sofrimento emocional das meninas. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) 2024 mostra que garotas de 13 a 17 anos relatam níveis significativamente maiores de tristeza, ansiedade e pensamentos de que a vida não vale a pena, em comparação aos rapazes da mesma faixa etária. Esse diagnóstico acende um alerta para escolas, famílias e poder público.
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Os números revelam que a proporção de meninas que enfrentam tristeza frequente é aproximadamente duas vezes maior do que a observada entre os meninos. Quando questionadas sobre a própria saúde mental, três vezes mais adolescentes do sexo feminino fazem uma autoavaliação negativa. Questionários apontaram ainda que irritação constante, nervosismo e falta de perspectiva são relatados com maior incidência pelas meninas entrevistadas. O levantamento também associa esses índices a fatores como pressão social, episódios de bullying e violência, reforçando a urgência de intervenções direcionadas.
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Em entrevista, a psicóloga Natália Del Ponte de Assis ressalta que o gênero interfere diretamente no bem-estar emocional das adolescentes. Conforme ela, o processo de passagem para a vida adulta traz desafios extras para as garotas, sobretudo no que diz respeito à aparência, comportamento e aceitação social. “As meninas são mais cobradas e julgadas”, afirma, o que aumenta a vulnerabilidade delas a quadros de tristeza, ansiedade e baixa autoestima.

O estudo do IBGE revela ainda que cerca de 30,1% das estudantes já sofreu algum tipo de bullying recentemente, contra 24,3% dos estudantes do sexo masculino. A maior parte das agressões tem relação com a aparência física — seja o rosto, o cabelo ou as formas do corpo. Além disso, muitas meninas expressam insatisfação com a própria imagem e acreditam estar acima do peso, o que agrava ainda mais o sofrimento emocional.

Outro dado alarmante aponta que 11,7% das meninas disseram ter sido forçadas a manter relações sexuais contra a própria vontade, praticamente o dobro da proporção verificada entre os meninos. Esse tipo de violência tem efeitos profundos na saúde mental, desencadeando quadros de isolamento, queda no rendimento escolar e mudanças de comportamento. Pais e educadores devem ficar atentos a sinais de alerta para oferecer suporte adequado.

Diante desse panorama, especialistas defendem a adoção de políticas públicas focadas na saúde mental dos adolescentes, especialmente das meninas. Investir em acolhimento psicológico, educação emocional nas escolas e ações de combate ao bullying são apontados como medidas fundamentais. Embora alguns indicadores tenham melhorado em relação a anos anteriores, o IBGE alerta que os níveis de sofrimento emocional continuam elevados e requerem acompanhamento permanente para garantir maior qualidade de vida aos jovens.