Dias Toffoli recorreu a avião de empresa vinculada a Vorcaro

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Ministro Dias Toffoli no STF sob suspeita de uso de jatos de empresários investigados (Foto: Instagram)

Documentos da Anac e do Decea revelam que o ministro Dias Toffoli utilizou aeronaves de empresas vinculadas a empresários, entre eles o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. As anotações também indicam viagens do ministro Alexandre de Moraes nesses mesmos jatos. A apuração obtida pela Folha coloca em xeque as relações do ministro com pessoas sob investigação, suscitando dúvidas sobre a independência e imparcialidade em processos que possam envolver essas partes.

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Conforme os registros, em 4 de julho de 2025, Toffoli ingressou no terminal executivo do aeroporto de Brasília às 10h. Dez minutos depois, decolou em uma aeronave da Prime Aviation, prefixo PR-SAD, rumo a Marília, cidade natal do ministro. No mesmo dia, policiais do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região foram deslocados a Ribeirão Claro, no âmbito de um pedido do STF, para reforçar a segurança no Tayayá Resort, localizado a cerca de 150 quilômetros de Marília e frequentado pelo ministro.

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O histórico de vínculos da família do ministro com o Banco Master já havia se tornado alvo de controvérsia. Empresas ligadas a Toffoli integraram uma rede de fundos de investimento fraudulenta associada ao banco, motivo pelo qual o ministro abriu mão da relatoria do caso no STF, em fevereiro deste ano. Até o ano passado, Toffoli também mantinha participação no Tayayá Resort em sociedade com Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Vorcaro, por meio da Maridt Participações e do fundo Arleen.

Ainda segundo os documentos, o mesmo avião prefixado PR-SAD que transportou Toffoli em julho de 2025 foi utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes em viagens para São Paulo. Esses deslocamentos internos reforçam a hipótese de uso recorrente de jatos de empresas de empresários com interesses variados junto ao Judiciário.

A análise das anotações do terminal executivo de Brasília contabilizou dez entradas de Toffoli em 2025. Em seis dessas ocasiões foi possível associar o horário de check-in a voos específicos: em cinco casos, as aeronaves pertenciam a empresários. Em duas dessas viagens, as aeronaves eram da Petras Participações, empresa de Paulo Humberto Barbosa, atual proprietário do Tayayá Resort. Um desses voos, em 17 de junho, teve como destino Ourinhos; em 1º de outubro, seguiu para o Aeroporto de Congonhas.

Registros adicionais revelam que, em abril de 2025, o ministro embarcou em um avião do empresário Luiz Pastore, dono da Ibrame, em novo deslocamento para São Paulo. Toffoli e Pastore cultivam relação de amizade, e, em novembro do ano passado, o ministro utilizou a mesma aeronave para acompanhar a final da Copa Libertadores da América em Lima, no Peru, na companhia do advogado Augusto de Arruda Botelho, defensor de um executivo do Banco Master. Nem Toffoli nem Vorcaro responderam aos pedidos de esclarecimento, e a Prime Aviation afirmou não divulgar dados de usuários. Os mesmos documentos apontam que Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, tiveram sete registros no terminal em horários próximos a voos de empresas associadas à Prime.