
Militar concede entrevista enquanto aguarda decisão judicial (Foto: Instagram)
A Polícia Militar do Estado de São Paulo concedeu, nesta quinta-feira (2), a aposentadoria ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, atualmente preso sob acusação de ter assassinado a esposa, a soldado Gisele Alves Santana. A decisão, publicada no Diário Oficial do estado, surpreendeu pela rapidez do trâmite administrativo e pelo valor do benefício, estimado em cerca de R$ 20 mil mensais.
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De acordo com a portaria divulgada, o processo de inatividade foi protocolado e concluído em tempo recorde, mesmo com o oficial detido preventivamente e denunciado à Vara do Júri pelos crimes de feminicídio e de fraude processual. A informação inicial foi revelada pelo SBT News e confirmada logo em seguida pelo portal Bacci Notícias, trazendo à tona questionamentos sobre os critérios adotados pela corporação.
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Segundo o texto publicado no Diário Oficial, o tenente-coronel, que ingressou na ativa há mais de 30 anos, preenchia os requisitos de tempo de serviço para a aposentadoria. Entretanto, causa estranheza o fato de a concessão ter sido efetivada enquanto ele segue recolhido em uma unidade prisional, à disposição da Justiça. Habitualmente, quando oficiais de alta patente deixam a ativa, há maior demora na análise de suas demandas administrativas, sobretudo em situações envolvendo processos criminais em andamento.
As investigações apontam que Geraldo Neto teria assassinado a companheira dentro do apartamento onde ambos moravam, na região central de São Paulo. A perícia e a análise das mensagens trocadas entre o casal teriam desmontado a versão apresentada pelo próprio oficial, que tentou simular uma cena de suicídio para encerrar as suspeitas. Ainda conforme o inquérito, testemunhas teriam ouvido discussões e gritos na noite do crime, reforçando a hipótese de violência doméstica.
Com a aposentadoria, o militar receberá uma remuneração mensal bruta de aproximadamente R$ 20 mil. É importante destacar que, mesmo com o tempo de serviço suficiente para promoção, Geraldo Neto não foi elevado ao posto de coronel no ato da inatividade, algo que às vezes ocorre em transições para a reserva. A discreta menção à patente indica que a corporação optou por não conceder um upgrade na carreira, possivelmente por conta das graves acusações.
Até o momento, nem a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo nem o alto comando da Polícia Militar se manifestaram oficialmente sobre os detalhes do processo de aposentadoria. Não foram divulgados os critérios específicos utilizados para a concessão do benefício ao tenente-coronel preso, o que acirra críticas de familiares da vítima e de entidades de defesa dos direitos das mulheres.
