Durante séculos na China, milhões de meninas foram submetidas a um costume conhecido como “pés de lótus”, que consistia em enfaixar os pés ainda na infância para moldá-los a um padrão considerado ideal. A prática, iniciada por volta dos cinco anos de idade, provocava deformações permanentes e limitações físicas.
++ Chocolate causa espinha? Especialista explica os efeitos do doce no organismo
De acordo com informações da revista cultural americana The Atlantic, o chamado “pé de lótus”, pequeno e envolto em sapatos de seda, era visto como uma característica valorizada em futuras noivas. Estudos também indicam que a prática estava relacionada à manutenção das meninas em ambientes domésticos, dedicadas a atividades como a fiação de algodão.
O processo começava ainda na infância, com o uso de faixas que pressionavam os dedos até que ficassem dobrados contra a sola dos pés. Com o tempo, os ossos eram quebrados e comprimidos repetidamente, resultando em deformações severas. Além dos pés, a prática causava impactos em outras partes do corpo, como quadril e coluna, além de fraturas.
++ Calendário de 2026 prevê sequência de feriados prolongados após a Sexta-feira Santa
Registros apontam que o costume teve início durante a dinastia Song, entre os anos 960 e 1279, e se tornou comum em diversas regiões do país até o século 19. A partir do início do século 20, campanhas lideradas por missionários, reformadores e posteriormente pelo governo contribuíram para a proibição da prática.
Mesmo após o fim oficial, ainda existem mulheres idosas que passaram pelo procedimento. A pesquisadora Laurel Bossen, coautora do livro “Bound foot, Young hands”, aponta que o estudo desse costume histórico contribui para debates atuais sobre práticas prejudiciais a meninas e mulheres em diferentes partes do mundo.















