
Vista aérea dos destroços do voo 2283 da Voepass após queda em Vinhedo (SP). (Foto: Instagram)
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado em 23 de julho de 2026, detalha que os pilotos do voo 2283 da Voepass não acionaram o sistema de degelo, mesmo após vários alertas de formação de gelo. A queda em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, resultou na morte de 62 pessoas, tornando-se o pior desastre da aviação brasileira desde 2007.
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Segundo o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, responsável pelo relatório, o alerta electronic ice detector soou diversas vezes, indicando condições propícias à formação de gelo. Esse dispositivo exige que a tripulação reduza a velocidade e ligue o sistema de de-icing, procedimento que não foi cumprido.
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A análise da gravação da caixa-preta revelou que o comandante Danilo Romano e o copiloto Humberto de Campos Alencar e Silva mantiveram conversas sobre temas pessoais por grande parte do voo. Às 13h11, após o quarto alerta de gelo, o copiloto confessou ter “esquecido” de ligar o sistema de degelo. O comandante então afirmou ter ativado todos os sistemas de de-icing, mas os equipamentos permaneceram desligados. Na quinta detecção de gelo, ocorrida cerca de um minuto depois, a dupla retornou ao diálogo particular.
Embora os dois tripulantes tivessem passado pelos treinamentos obrigatórios para enfrentar condições severas de gelo, o Cenipa concluiu que as ações observadas não atingiram o nível mínimo de proficiência esperado. O documento também ressalta que o comandante enfrentava problemas pessoais que poderiam ter influenciado seu desempenho, mas classifica esse e outros aspectos como fatores indeterminados, pois não há como comprovar que foram determinantes no acidente.
Ao longo de quase dois anos de investigação, o Cenipa examinou as caixas-pretas, realizou simulações em laboratório, analisou motores, o sistema de degelo, registros de manutenção, certificados médicos dos pilotos e mais de 15 mil voos do mesmo modelo de aeronave. Ao todo, o estudo elencou 19 fatores contribuintes, reforçando que o trabalho tem caráter exclusivamente preventivo, sem apontar culpados ou atribuir responsabilidades judiciais.
Após a divulgação, Rosana Maria Ferreira, viúva do copiloto, defendeu a postura dos pilotos, ressaltando que discussões pessoais na cabine não configuram negligência. Segundo ela, técnicos do Cenipa garantiram que “fizeram tudo o que podiam diante da situação”. Paralelamente, a Polícia Federal conclui o inquérito criminal, que será remetido ao Ministério Público Federal para possível indiciamento, enquanto familiares das vítimas preparam ação coletiva por danos morais. O voo 2283 caiu em 9 de agosto de 2024, partindo de Cascavel (PR) para Guarulhos (SP).
