
María Camila Potosí Gómez, 21 anos, vítima de feminicídio aos oito meses de gestação (Foto: Instagram)
O jornal espanhol El País acusou o governo da Colômbia e o presidente eleito Abelardo de la Espriella de adotarem uma postura silenciosa diante do feminicídio de María Camila Potosí Gómez, de 21 anos, morta aos oito meses de gestação. Em artigo publicado após ampla repercussão do caso, El País questionou o descaso oficial. Posteriormente, de la Espriella se pronunciou em suas redes sociais, repudiou o assassinato brutal e afirmou que o enfrentamento à violência de gênero será prioridade em seu governo.
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De acordo com o El País, o assassinato de María Camila ultrapassou o âmbito das investigações criminais e se transformou em símbolo do debate sobre violência contra a mulher na Colômbia. A publicação ressaltou que, apesar de Abelardo de la Espriella ter defendido publicamente os direitos femininos durante a campanha eleitoral, até o momento da reportagem não havia se manifestado sobre o caso, contrariando o discurso de proteção às mulheres adotado por sua equipe.
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María Camila desapareceu em 16 de julho, depois de sair de casa para um compromisso relacionado à gestação. Quatro dias depois, seu corpo foi encontrado em uma região rural de Cali, apresentando sinais de tortura e múltiplas perfurações por arma branca. Autoridades investigam ainda o desaparecimento da bebê, já que a necropsia revelou a ausência do feto no interior do útero. A família, consternada, cobra celeridade nas investigações e a localização da criança.
No artigo, especialistas e organizações de defesa dos direitos das mulheres afirmam que o caso evidencia falhas estruturais no combate à violência de gênero no país. Mesmo que estatísticas oficiais apontem redução em alguns períodos nos índices de feminicídio, representantes de entidades ressaltam que tentativas de homicídio de mulheres, agressões sexuais e outros tipos de violência continuam elevados, muitas vezes sem que os responsáveis sejam efetivamente punidos.
El País também recorda que governos anteriores anunciaram medidas de proteção às mulheres, incluindo canais de atendimento 24 horas e protocolos de prevenção de violência doméstica. Contudo, entidades sociais criticam a ausência de políticas públicas permanentes que promovam a prevenção e responsabilização dos agressores de forma consistente. Para elas, apenas ações intersetoriais e o engajamento de toda a sociedade poderão reduzir de fato os índices de violência contra a mulher.
Com a posse marcada para 7 de agosto, o presidente eleito Abelardo de la Espriella garantiu que irá reforçar o aparato de segurança feminina e implementar programas de proteção integral às vítimas de violência de gênero. Em seu pronunciamento, ele também enfatizou a importância de fortalecer a investigação policial e os processos judiciais para assegurar que crimes como o cometido contra María Camila não permaneçam impunes, reafirmando o compromisso de levar o tema ao centro da agenda governamental.
