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TOC de relacionamento: mulher revela que parou de sair por medo de trair namorado


Quando dúvidas viram obsessões: entenda o TOC de relacionamento (Foto: Instagram)

Dúvidas ocasionalmente fazem parte de qualquer relação, mas quando passam a ser persistentes e intensas, podem indicar um tipo pouco conhecido de transtorno: o TOC de relacionamento (TOC-R). Nesse quadro, as indagações sobre sentimentos e fidelidade se tornam intrusivas, gerando angústia diária e modificando a rotina do casal.

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O tema voltou aos holofotes com o depoimento de Sophia, uma inglesa de 24 anos, à BBC. Ela admitiu ter deixado de frequentar ambientes externos por medo constante de trair o namorado. Segundo a jovem, esses pensamentos invadiram sua vida profissional, social e o momento de descanso.

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No TOC-R, as obsessões giram em torno do relacionamento: a pessoa questiona repetidamente se ama o parceiro, se escolheu a pessoa certa ou se o outro é “bom o suficiente”, mesmo sem evidências que justifiquem tais preocupações. O psiquiatra David Veale, do NHS Trust Maudsley e do Sul de Londres, explica que esses pensamentos deixam de ser breves e passam a ocupar horas do dia, provocando ansiedade intensa. Para aliviar a tensão, surgem as compulsões, como checar mensagens, buscar opiniões de terceiros e, em casos como o de Sophia, recorrer ao ChatGPT em busca de respostas.

Especialistas apontam que fases cruciais do relacionamento — o início do namoro, a mudança para morar junto ou o casamento — podem funcionar como gatilhos, intensificando o transtorno. O psicólogo clínico Guy Doron, da Universidade Reichman, em Israel, alerta que a comparação incessante nas redes sociais reforça padrões irreais e alimenta a insegurança. Gracie, outra jovem de 24 anos entrevistada pela BBC, relatou que ouvira frases do tipo “quando é a pessoa certa, você simplesmente sabe”, o que só aumentou suas dúvidas. Para ela, o TOC não reflete desamor: “O TOC geralmente atinge aquilo que mais importa para uma pessoa. Ele pode fazer você se sentir desesperada e uma pessoa horrível.”

O tratamento do TOC de relacionamento costuma mesclar terapia cognitivo-comportamental (TCC) com, em alguns casos, fármacos prescritos por um psiquiatra. Profissionais recomendam que o paciente evite buscar reafirmação constante do parceiro ou testar repetidamente a solidez da relação, pois esses comportamentos alimentam o ciclo obsessivo. Também é aconselhável reduzir comparações nas redes sociais e procurar ajuda assim que as dúvidas começarem a prejudicar o trabalho, o convívio social ou o bem-estar. Embora ainda existam poucos estudos, estima-se que cerca de 1,2% da população do Reino Unido apresente esse tipo de manifestação do TOC.

Dúvidas eventuais fazem parte da convivência a dois, mas o alerta surge quando elas se tornam persistentes, causam sofrimento incapacitante e interferem nas tarefas diárias. Nesses casos, buscar a avaliação de um médico ou psicólogo pode ser fundamental. Um diagnóstico precoce e um tratamento adequado ajudam a reduzir os sintomas e a restaurar a qualidade de vida.

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