
Servidores de data center iluminados em azul representam a infraestrutura vital para a IA na América Latina. (Foto: Instagram)
A Moody’s Ratings destaca que a ampliação dos data centers será essencial para a disseminação de inteligência artificial na América Latina. A região possui abundância de fontes renováveis, mas sofre com limitações na rede elétrica, atrasos em licenças e gargalos de conexão, fatores que vão condicionar o ritmo de implantação das soluções de IA. A análise da Moody’s considera que, sem essa infraestrutura robusta, o uso pleno de aplicações de IA, como aprendizado de máquina avançado e automação, ficará comprometido.
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No relatório divulgado na terça-feira, 4, a agência ressalta que as concessionárias locais enfrentarão demandas crescentes por investimento na geração e no fortalecimento das redes de distribuição. Segundo o documento, riscos de execução de projetos e limites tarifários podem minar a rentabilidade desses empreendimentos. A avaliação também destaca a importância de um ambiente regulatório estável para viabilizar novos projetos.
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Para os desenvolvedores, o maior entrave está no fornecimento de energia. Os chamados campi de IA podem demandar dezenas de megawatts cada um, carga equiparável a grandes indústrias, concentrando estresse em redes não preparadas para suportar demandas tão elevadas. Esse panorama acende o alerta para potenciais impactos na capacidade de atendimento a demandas críticas de clientes corporativos.
Apesar do custo relativamente baixo e da oferta de renováveis, levar energia firme e estável a pontos específicos ainda é desigual. As empresas têm adotado estratégias como diversificação de localizações, sistemas de resfriamento em circuito fechado e parcerias com distribuidoras, mas essas soluções encarecem o investimento e estendem os prazos de desenvolvimento.
Além do setor de tecnologia, a IA deve trazer ganhos também para grandes companhias de bebidas, otimizando redes de distribuição e acesso a dados de qualidade. No segmento de alimentos e bens embalados, as melhorias mais significativas virão em previsão de demanda, organização de compras e planejamento de produção. O setor de varejo também poderá se beneficiar com personalização de ofertas e gerenciamento de estoques mais eficiente.
No setor financeiro, a inteligência artificial tende a reforçar a vantagem das instituições tradicionais, ainda que novos entrantes encontrem espaço para inovar. Nesse cenário, bancos como Itaú Unibanco, Banco Bradesco e Banco de Crédito del Peru já tratam a IA como uma capacidade estratégica voltada à personalização de serviços, conforme avaliação da Moody’s.
De acordo com o estudo, no início de 2026 a América Latina contava com cerca de 2.340 megawatts de capacidade instalada em data centers, que cresce à taxa anual de 15% a 20%. O Brasil lidera com 49% desse total, seguido pelo México (27%) e pelo Chile (9%). Esse ritmo de expansão reflete o crescimento da digitalização e a busca por soluções tecnológicas que suportem grandes volumes de dados.
