Irmãos são mortos ao planejar sequestro de Xuxa Meneghel; relembre o caso

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Xuxa Meneghel nos bastidores do ‘Xou da Xuxa’, pouco antes da tentativa de sequestro em 1991. (Foto: Instagram)

No dia 7 de agosto de 1991, uma abordagem policial de rotina na Zona Sul do Rio de Janeiro impediu o que poderia ter sido um dos crimes mais chocantes da televisão brasileira. Dois policiais militares avistaram um Chevette com placas de São Paulo estacionado de forma irregular na Rua Lineu de Paula Machado, no Jardim Botânico. Ao se aproximarem, foram recebidos a tiros, resultando na morte de um soldado e em ferimentos graves em outro.

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A reação dos suspeitos desencadeou uma perseguição cinematográfica pelas ruas do bairro. Seguranças de um carro-forte, que passavam pelo local, perceberam o tiroteio e acompanharam o Chevette em uma intensa troca de disparos. A fuga terminou na Rua Maria Angélica, quando o veículo colidiu de frente com outro automóvel. O motorista foi atingido por um tiro na cabeça e morreu no local. O passageiro, gravemente ferido, acabou confessando na ambulância que o alvo era sequestrar a apresentadora Xuxa Meneghel e a paquita Letícia Spiller.

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As investigações conduzidas pela 15ª Delegacia de Polícia da Gávea identificaram os ocupantes do veículo como os irmãos Alberto e Douglas Loricchio, respectivamente de 23 e 18 anos. Formados em eletrônica e com perfis de estudantes e técnicos, eles haviam saído de São Paulo dizendo à família que buscavam oportunidades de trabalho no Rio de Janeiro.

Chamou a atenção das autoridades o grau de preparação técnica do ataque. O Chevette estava estacionado estrategicamente nas imediações do Teatro Fênix, onde era gravado o “Xou da Xuxa”. Dentro do veículo, peritos encontraram um arsenal surpreendente: seis espingardas adaptadas — duas na dianteira e quatro na traseira, acionadas por botões no painel —, oito granadas de mão e duas bombas artesanais de alto impacto.

Em São Paulo, os pais dos jovens declararam choque e negaram qualquer histórico de violência. Admitiram que ambos apresentavam dificuldades de convivência social, mas contestaram a versão de um sequestro planejado, afirmando que os filhos jamais haviam demonstrado inclinação para crimes desse porte.

Para não atrapalhar as gravações e manter o clima festivo do programa, a então diretora Marlene Mattos optou por esconder o tiroteio de Xuxa durante todo o dia. A apresentadora só foi informada no início da noite e, abalada pela onda de violência e sequestros que assolava a cidade, teve sua equipe de segurança dobrada e a agenda na Argentina prorrogada. Letícia Spiller, então com 18 anos, declarou que nunca tivera contato com os irmãos e considerou o episódio um alerta para reforçar sua proteção pessoal.

O inquérito foi encerrado sem levar o caso a julgamento. Douglas Loricchio morreu no local do confronto e Alberto sucumbiu a complicações cirúrgicas em 12 de agosto de 1991, cinco dias após o incidente, no hospital do Desipe. Sem suspeitos vivos para responder, a Polícia Civil arquivou o processo.