
Agentes da Polícia Civil realizam diligências em Paragominas (Foto: Instagram)
Em Paragominas, no sudeste do Pará, uma jovem de 17 anos registrou denúncia contra o médico Neviton Pereira de Andrade, alegando ter sofrido violência sexual e psicológica durante uma consulta. O episódio teria ocorrido em 8 de maio e resultou na prisão do profissional na quinta-feira (06). As autoridades seguem apurando os detalhes do atendimento e as circunstâncias em que os abusos teriam acontecido.
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Segundo a Polícia Civil, a adolescente relatou que, no decorrer da consulta, o médico teria praticado atos libidinosos sem seu consentimento. De acordo com o registro de ocorrência, o profissional teria se aproveitado da relação de confiança mantida com a paciente para cometer as agressões. Investigadores ouvem depoimentos de testemunhas para esclarecer o grau de envolvimento e possíveis falhas no atendimento médico.
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As apurações indicam que a adolescente já fazia acompanhamento clínico com Neviton e utilizava medicamentos controlados prescritos por ele. Após o relato de abuso, ela apresentou agravamento do estado emocional, passou a praticar automutilação e tentou suicídio ao ingerir 64 comprimidos de amitriptilina. Socorrida, a jovem foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Paragominas para receber cuidados urgentes.
A Polícia Civil também informou que, apesar de o profissional se apresentar como psiquiatra e sexólogo clínico, não há registro dessas especialidades vinculadas ao seu nome no Conselho Regional de Medicina (CRM). Em checagem preliminar, os investigadores não localizaram comprovação de títulos ou cursos que validassem essas qualificações, o que agrava a suspeita de irregularidades em sua prática médica.
O caso está sob responsabilidade da Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (Deaca), unidade encarregada de reunir provas, analisar prontuários e ouvir pessoas envolvidas. A equipe busca identificar eventuais lacunas nos procedimentos adotados e verificar se houve outras falhas durante as consultas realizadas pelo suspeito.
Além da ocorrência atual, o médico Neviton Pereira de Andrade já havia sido alvo de inquérito policial em maio de 2023 por suspeita de importunação sexual contra outra paciente em Paragominas. Na ocasião, a investigação apurou denúncias de comportamento inapropriado, mas não houve prisão. O novo caso reacende questionamentos sobre a conduta profissional do médico.
As investigações seguem em curso para esclarecer completamente as circunstâncias das denúncias e apurar se outras vítimas existem. A Polícia Civil pretende ouvir novas testemunhas, periciar documentos e cruzar dados de atendimentos anteriores, com o objetivo de aprofundar as diligências e garantir que todos os envolvidos sejam ouvidos.
