Grávida de 12 anos, menina indígena morre ao dar à luz

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Teddy bear simboliza a infância interrompida de Dorca, menina indígena venezuelana vítima de gestação precoce em ocupação precária em Betim (MG). (Foto: Instagram)

A Polícia Civil de Minas Gerais finalizou as investigações sobre a morte de Dorca Mata Rattia, menina indígena venezuelana de 12 anos que faleceu em Betim (MG) após sofrer um AVC e passar por uma cesárea de emergência. O laudo pericial apontou como pai do bebê um adolescente de 16 anos, que responderá por ato infracional análogo a estupro de vulnerável. O recém-nascido, porém, sobreviveu e segue em observação neonatal.

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Dorca estava na 32ª semana de gestação — cerca de oito meses — e morava em ocupação que recebia 25 famílias da etnia Warao vindas da Venezuela. O local apresentava carência de estrutura e acesso limitado a serviços de saúde, o que potencializou os riscos durante a gravidez precoce da criança.

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No dia 10 de julho, a jovem começou a sentir dores de cabeça intensas e foi levada a um posto de saúde, onde recebeu apenas um analgésico. Sem investigação complementar, ela retornou ao abrigo onde vivia, mas seu quadro clínico piorou rapidamente ao longo do dia seguinte.

Em 11 de julho, as dores se intensificaram a ponto de Dorca desmaiar. Uma amiga brasileira da família a conduziu ao Centro Materno-Infantil de Betim, onde exames revelaram o rompimento de um vaso sanguíneo no cérebro e o consequente derrame. Com urgência, a equipe médica realizou primeiro a cesariana para retirar o bebê e, em seguida, uma cirurgia para conter a hemorragia cerebral.

Durante o procedimento, Dorca sofreu duas paradas cardíacas. Apesar dos esforços para reanimá-la, a menina não resistiu e faleceu em 13 de julho de 2025. O bebê, extraído com vida, permanece em tratamento intensivo e responde bem aos cuidados neonatais. A morte precoce gerou comoção e questionamentos sobre o acompanhamento médico disponível à comunidade.

A apuração policial identificou como autor do ato um adolescente de 16 anos, que confessou ter mantido relações com Dorca pelo menos três vezes desde o fim de 2024. Embora ele tenha afirmado desconhecer a ilicitude, a Polícia Civil concluiu que se trata de estupro de vulnerável, por envolver vítima menor de 14 anos, e recomendou a aplicação de medida socioeducativa. O caso ressalta a urgência de políticas públicas para proteger meninas e adolescentes em situação de risco.