ICE pretende fornecer aos agentes luvas que aplicam choques elétricos dolorosos

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Agentes do ICE escoltam detido durante operação migratória nos EUA. (Foto: Instagram)

O Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE) estuda equipar seus agentes com luvas capazes de desferir choques elétricos dolorosos para conter pessoas que ofereçam resistência em abordagens. Segundo aviso do Departamento de Segurança Interna (DHS) publicado em 10 de fevereiro, a agência pode desembolsar até US$ 20 milhões (cerca de R$ 103 milhões) na aquisição de milhares desses dispositivos ainda neste ano.
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Batizadas de G.L.O.V.E. (Generated Low Output Voltage Emitter), as luvas são produzidas pela Compliant Technologies LLC, sediada em Lexington, Kentucky, e já estão em uso em algumas penitenciárias e departamentos policiais dos EUA. O DHS informou à Associated Press que prepara um posicionamento oficial, mas ainda não se pronunciou. A licitação direta pode ser publicada na sexta-feira (07), com entrega dos equipamentos prevista para março.
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De acordo com a fabricante, as luvas funcionam normalmente como equipamento de patrulhamento até que o agente acione um pequeno interruptor. Para que o choque seja aplicado, o aparelho precisa ter contato direto com a pele, gerando um estímulo doloroso que, segundo a empresa, costuma induzir a obediência em poucos segundos.

Diversas organizações de defesa dos direitos civis criticam a iniciativa, argumentando que o ICE já enfrenta questionamentos pelo uso de força em sua política de deportações sob o governo Trump. Jenn Rolnick Borchetta, diretora-adjunta do projeto de policiamento da ACLU, questiona a necessidade de um dispositivo tão extremo em operações migratórias e alerta para o risco de aplicação sem aviso prévio.

A fabricante alerta que o equipamento não se destina a punir nem a pessoas que apresentem apenas “desobediência verbal ou comportamento agressivo”. Recomenda ainda que não seja usado contra crianças, gestantes, idosos ou pessoas com deficiência. Para operar as luvas, os agentes devem passar por treinamento inicial e renovar a certificação a cada dois anos.

John Peters, presidente do Institute for the Prevention of In-Custody Deaths, estima que o pedido do ICE será o maior realizado pela Compliant Technologies e destaca que as luvas podem ser empregadas para retirar resistentes de veículos, imóveis ou durante o transporte a centros de detenção.

Além das luvas, o ICE planeja equipar seus agentes com câmeras corporais nos próximos dois meses. A política interna exige que qualquer divulgação de imagens atenda aos “melhores interesses da agência”, sem definir critérios claros. Após tiroteios ou confrontos graves, um comitê de altos funcionários e advogados avaliará as gravações, que podem ser liberadas em até 72 horas ou retidas indefinidamente por decisão do diretor. Em julho, o ICE já havia investido US$ 30,9 milhões (cerca de R$ 166 milhões) na compra de equipamentos de câmeras corporais da Axon, fabricante também das armas de choque Taser.