O que antes parecia uma ideia distante, agora pode se tornar realidade. De acordo com um documento enviado à Câmara dos Deputados, o Itamaraty afirma que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos traz, entre outras consequências, o risco de uso da força militar americana contra o território brasileiro.
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A avaliação consta em uma resposta assinada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a questionamentos feitos pela Câmara. Segundo o documento, a decisão americana poderia ser utilizada como justificativa para ações extraterritoriais contra instituições brasileiras, especialmente nas áreas financeira, migratória e penal. O Itamaraty também classificou a medida dos Estados Unidos como unilateral.
A preocupação ganhou força depois que Washington passou a tratar oficialmente PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras. Para o governo brasileiro, a mudança amplia significativamente os instrumentos que podem ser utilizados pelas autoridades americanas e pode gerar consequências para a soberania nacional.
O alerta do Itamaraty, porém, não significa que exista uma operação militar americana em andamento ou que Washington tenha anunciado uma ação contra o Brasil. Trata-se de uma avaliação de risco apresentada pelo governo brasileiro diante das possíveis consequências da nova classificação.
O cenário também ganhou novos contornos nesta semana. Em 13 de agosto, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o país prepara operações terrestres contra grupos de narcotráfico em países aliados da América Latina. Brasil e México, entretanto, estão fora da coalizão antidrogas mencionada pelo governo americano.
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Além disso, o presidente Donald Trump autorizou um programa que permite a participação de empresas privadas americanas em operações cibernéticas contra organizações criminosas transnacionais estrangeiras. Entre os grupos que podem ser alcançados pela medida estão justamente o PCC e o Comando Vermelho. A combinação desses acontecimentos aumentou a tensão em torno da relação entre Brasília e Washington e reacendeu o debate sobre os limites da atuação americana contra organizações classificadas como terroristas fora do território dos Estados Unidos.

