Mirtes Renata, mãe de Miguel Otávio, conseguiu realizar um feito surpreendente: se formar em Direito. Ela ficou conhecida em todo o país em 2020, quando seu filho, de apenas 5 anos, morreu após cair do nono andar de um prédio no Recife, em um caso que provocou comoção e levantou debates sobre desigualdade social, trabalho doméstico e responsabilização.
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Naquele 2 de junho de 2020, Mirtes havia levado Miguel para o trabalho, durante o período em que as escolas estavam fechadas por causa da pandemia de Covid-19. Enquanto ela trabalhava como empregada doméstica, o menino ficou sob os cuidados da patroa, Sari Corte Real, que era então primeira-dama do município de Tamandaré, em Pernambuco.
Segundo as investigações, Miguel teria entrado sozinho no elevador enquanto procurava pela mãe. Após chegar a um dos andares superiores do edifício, ele caiu de uma altura de aproximadamente 35 metros e morreu. O episódio teve grande repercussão nacional e gerou discussões sobre as condições enfrentadas por trabalhadores domésticos, especialmente durante a pandemia, além das desigualdades sociais e raciais presentes no caso. Depois da morte do filho, Mirtes passou a buscar responsabilização na Justiça e decidiu ingressar no curso de Direito.
A escolha surgiu também da necessidade de compreender os mecanismos jurídicos envolvidos no processo e de se preparar para enfrentar os obstáculos encontrados durante sua trajetória em busca de justiça. Durante a graduação, ela levou parte dessa experiência para o ambiente acadêmico. Em seu trabalho de conclusão de curso, estudou a relação entre a escravidão e o trabalho doméstico, abordando um tema profundamente relacionado às desigualdades que atravessam sua própria história.
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Anos depois da tragédia que mudou sua vida, Mirtes concluiu a graduação. O diploma representa não apenas uma conquista profissional, mas também o resultado de uma trajetória marcada por dor, resistência e determinação. Agora formada em Direito, ela segue mantendo viva a memória de Miguel e sua luta por justiça, transformando uma das experiências mais dolorosas de sua vida em conhecimento e defesa de direitos.
















