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Assessora de Flávio Bolsonaro negociou emenda com miliciano do caso Marielle


Flávio Bolsonaro em pronunciamento de campanha (Foto: Instagram)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, destinou uma emenda parlamentar de R$ 199.999,79 a um instituto esportivo a pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, miliciano condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco. A negociação ocorreu em outubro e novembro de 2023 entre Peixe e Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar no gabinete do senador.
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Em nota divulgada pela defesa de Flávio Bolsonaro, assinada pelos advogados responsáveis, foi afirmado que a emenda seguiu rigorosamente a legislação vigente e os critérios técnicos do Ministério do Esporte. Segundo a peça, a entidade beneficiária apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos, devolveu eventuais saldos não utilizados e ficou totalmente responsável pela execução dos recursos. Tracy Reinaldet, advogado do candidato do PL, ressaltou ainda que os repasses não ocorreram por meio de emendas impositivas (Pix) e que o Ministério do Esporte, sob gestão Lula, e o Tribunal de Contas da União fiscalizaram todo o processo.
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Em investigação sigilosa do STF sobre possíveis desvios de emendas destinadas a entidades ligadas aos irmãos Brazão, a Polícia Federal encontrou mensagens trocadas via WhatsApp entre Peixe e Maria de Fátima no aparelho apreendido do miliciano em 2024. Esses diálogos indicam que o contato direto para viabilizar a emenda passou pela intermediária no gabinete de Flávio Bolsonaro.

No dia 24 de outubro de 2023, Peixe enviou a primeira mensagem a Maria de Fátima: “Amiga, vê com o nosso senador se consegue nos ajudar”. A secretária respondeu orientando o envio de um e-mail ou ofício e, em seguida, recebeu o documento “Ofício nº 002_2023”. Em 26 de outubro, ela perguntou se o miliciano ainda estava com o deputado Chiquinho Brazão e recomendou que levasse o parlamentar a um evento de entrega de coletes balísticos à Polícia Militar do Rio de Janeiro, reforçando o pedido diretamente ao senador.

Posteriormente, em 30 de outubro, Peixe questionou: “Tem notícias boas?”, e, em 6 de novembro, insistiu: “Não esquece do IFOP, vê se o senador consegue nos agraciar para não terminar o nosso projeto”. A secretária assegurou que cuidaria do caso e, dias depois, a emenda foi formalmente destinada ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP).

O recurso, intermediado pelo Ministério do Esporte, deveria financiar o projeto “Jogadores do Futuro”, voltado a crianças no bairro da Taquara, em Jacarepaguá. No entanto, um relatório técnico do Tribunal de Contas da União, de 2025, detectou indícios de irregularidades: a empresa contratada, Romulo Alves – Sociedade Individual de Advocacia, não teria qualquer experiência em coordenação de atividades esportivas e era presidida pelo próprio dirigente do IFOP.

Em janeiro de 2024, já após a liberação da verba, Maria de Fátima solicitou ao miliciano quatro ingressos para o desfile das campeãs no camarote Arpoador, e, em 22 de março, Peixe cobrou novas destinações parlamentares, observando que “ainda não havia nada do nosso senador”. O relatório da PF não registra a resposta da assessora a essa última cobrança.

Em fevereiro de 2026, o STF condenou Robson Calixto a nove anos de prisão e à perda do cargo de policial militar reformado, reconhecendo-o como elo entre executores e mandantes do crime que vitimou Marielle Franco e Anderson Gomes. A PF descreve Maria de Fátima como interlocutora direta de Peixe no gabinete do senador.

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