
Notas de reais ilustram o Boletim Macrofiscal de setembro (Foto: Instagram)
O Ministério da Fazenda divulgou nesta terça-feira (22.set.2026) o Boletim Macrofiscal de setembro, elaborado pela Secretaria de Política Econômica (SPE). O relatório revisou para baixo a expansão do PIB de 2026, de 2,3% para 2,0%, e também reduziu a projeção do IPCA deste ano de 5,1% para 4,9%. No conjunto das contas, as deduções legais transformam o déficit primário acumulado de janeiro a julho em um superávit ajustado de R$ 10,77 bilhões.
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Além do IPCA, o boletim apontou recuo em outros indicadores: INPC, de 5,3% para 5,1%; IGP-DI, de 5,6% para 5,0%; e Selic acumulada, de 14,16% para 14,22%. Para 2027, a expectativa de inflação oficial subiu de 3,6% para 3,8%, puxada por possíveis impactos de um El Niño mais intenso, retenção de fêmeas na pecuária e custos elevados de fertilizantes.
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A revisão do PIB por setor mostra desaceleração de serviços, de 2,4% para 1,8%, em meio a maior comprometimento de renda com dívidas; e da indústria, de 2,1% para 1,7%, pressionada pelos juros elevados. Em contrapartida, a agropecuária teve revisão positiva, de 1,8% para 2,8%, beneficiada pela boa safra de grãos.
Para o terceiro trimestre de 2026, a SPE projeta crescimento de 1,8% em comparação ao mesmo período de 2025, ante 2,0% no segundo trimestre. As expectativas para o PIB de 2027 caíram de 2,5% para 2,3%, enquanto a média anual de 2028 a 2030 segue em 2,6%.
No mercado de trabalho, a taxa de desocupação ficou em 5,3% em julho de 2026 (5,4% com ajuste sazonal). A população ocupada avançou 0,3% no trimestre encerrado em julho, mas a massa de renda real recuou 0,3%, sinalizando arrefecimento no ritmo de expansão da renda.
O Governo Central registrou déficit primário bruto de R$ 52,01 bilhões no terceiro bimestre, com receita líquida crescendo 5,9% em termos reais e despesa total subindo 6,2%. Após as deduções de R$ 62,78 bilhões — incluindo R$ 55,71 bilhões em precatórios, R$ 3,55 bilhões em saúde, R$ 2,50 bilhões em defesa e R$ 1,03 bilhão do INSS —, o saldo ajustado atingiu um superávit de R$ 10,77 bilhões.
As projeções do Prisma Fiscal indicam redução do déficit de 2026 de R$ 58,08 bilhões para R$ 52,27 bilhões (-0,38% do PIB), a melhor estimativa desde dezembro de 2023. Para 2027, a previsão de déficit caiu para R$ 45,35 bilhões, e a dívida bruta do governo geral deve chegar a 83,2% do PIB. Entre os riscos, o boletim cita tensões geopolíticas que podem elevar o preço do petróleo, efeitos climáticos de um forte El Niño sobre a safra e o encarecimento do crédito global devido ao aumento dos juros nos EUA.








