Fazenda vê choque persistente no petróleo e revisa projeção do PIB de 2026

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Barris de petróleo Brent: SPE reclassifica alta como efeito persistente (Foto: Instagram)

Na terça-feira (22.set.2026), a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda alterou o entendimento sobre a alta do petróleo Brent, deixando de tratá-la como um choque pontual de oferta e passando a classificá-la como persistente. A mudança decorre da avaliação de que a recomposição dos estoques globais e a normalização do fluxo de embarcações vão levar mais tempo do que o previsto, estendendo a pressão sobre as cotações.

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Em função dessa reavaliação, a estimativa média para o Brent em 2026 foi elevada de US$ 79,20 para US$ 87,70 por barril. Esse ajuste pressiona as taxas de juros de longo prazo e amplia o prêmio de risco global, afetando o cenário macroeconômico brasileiro.

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Em consequência, a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 caiu de 2,3% para 2,0%, e a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 5,1% para 4,9%. Os dados foram divulgados no Boletim Macrofiscal de setembro, em apresentação conduzida pela secretária Débora Freire Cardoso, pelo subsecretário Rafael de Azevedo Ramires Leão e pelo subsecretário de Política Fiscal, Rodrigo Toneto. Freire ressaltou que o cenário não é “catastrófico” nem sinaliza um “novo normal”.

A revisão por setor indica desaceleração em atividades sensíveis ao crédito: serviços tiveram projeção reduzida de 2,4% para 1,8%, e a indústria recuou de 2,1% para 1,7%, sob pressão da indústria de transformação. Já a agropecuária ganhou impulso, com estimativa elevando-se de 1,8% para 2,8%, impulsionada pela safra do segundo e terceiro trimestres e pelo aumento do abate na pecuária.

Para o terceiro trimestre de 2026, a SPE prevê alta de 1,8% do PIB em relação ao mesmo período do ano anterior (ante 2,0% no segundo trimestre) e de 0,2% na comparação dessazonalizada. A projeção para o crescimento em 2027 foi revisada de 2,5% para 2,3%.

O reajuste do programa Bolsa Família, anunciado após o fechamento dos parâmetros do boletim em 4 de setembro, não está incorporado às projeções. Conforme Débora Freire, o aumento de R$ 22,7 bilhões em 2027 será acomodado no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) por meio de mensagem modificativa, com realocação interna de despesas para preservar a meta de superavit primário.

Entre os riscos para a inflação de 2027 estão os impactos do fenômeno El Niño sobre a safra agrícola, a reversão do ciclo pecuário com maior retenção de fêmeas para engorda e os efeitos indiretos da alta do petróleo sobre frete e fertilizantes. Para 2026, o IPCA foi ajustado de 5,1% para 4,9%, o INPC de 5,3% para 5,1% e o IGP-DI de 5,6% para 5,0%. A projeção do IPCA para 2027 subiu de 3,6% para 3,8%. O Focus aponta taxa Selic terminal de 13,75% no fim de 2026, enquanto a média da SPE passou de 14,16% para 14,22%, e o câmbio segue em R$ 5,16 por dólar.

Rodrigo Toneto destacou a entrega do PLOA 2027 com expectativa de superavit primário de 0,56% do PIB. Até julho de 2026, o déficit primário acumulado chegou a R$ 81,0 bilhões, mas projeta-se um superavit de R$ 10,77 bilhões após deduções legais. A SPE apresentou também o Impulso Estrutural do Gasto (IEG), que mede a contribuição dos gastos federais à demanda agregada: em 2025 houve impulso contracionista de –1,0 ponto percentual do PIB; em 2026, expansionista de +0,8 p.p.; e, em 2027, retorno a –0,1 p.p.