
Lula em entrevista à CNN Internacional em Nova York (Foto: Instagram)
Em entrevista nesta segunda-feira (21) à jornalista Christiane Amanpour, âncora da CNN Internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, caso não seja fechado um acordo com os Estados Unidos para suspender o “tarifaço” sobre produtos brasileiros, o Brasil recorrerá à Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso. “Eu não vou ficar chorando pelo leite derramado. Eu vou procurar outros lugares para comprar e vender. É assim que eu faço política. E nós podemos aplicar a Lei da Reciprocidade com os Estados Unidos. Eu sou muito cauteloso”, disse ele.
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Lula explicou que continuará empenhado em negociar a remoção dos impostos de 25% instaurados pelos EUA, mas que não hesitará em aplicar a legislação interna se a administração de Donald Trump não avançar nas conversas. “Enquanto estiver na mesa de negociação, eu não preciso fazer a lei da reciprocidade. Mas é importante saber que, se não tiver acordo, nós vamos ter que aplicar a Lei da Reciprocidade”, enfatizou o presidente, destacando o caráter equilibrador da medida.
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O presidente desembarcou em Nova York no domingo, 20 de setembro, com o objetivo de participar da 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas, cuja sessão de abertura ocorrerá na terça-feira, 22. Nesse evento, Lula fará o discurso oficial em nome do Brasil, apresentando as prioridades do país no cenário global, como temas de desenvolvimento sustentável e cooperação internacional. A agenda ainda inclui encontros bilaterais informais e participação em painéis, embora não haja confirmação de um diálogo oficial com o presidente Trump.
Desde 22 de julho, os Estados Unidos impõem uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros como forma de “punição” por supostas práticas comerciais desleais. A investigação norte-americana abrange setores como sistemas de pagamento digital, entre eles o Pix, o etanol brasileiro e políticas ambientais relativas ao desmatamento na Amazônia, sob o argumento de que tais ações teriam prejudicado a competição no mercado internacional.
Em 24 de julho, Trump determinou ainda um acréscimo de 12,5% sobre certas importações do Brasil, em resposta a um processo conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A justificativa foi a suspeita de utilização de trabalho forçado em parte da cadeia produtiva de alguns produtos, elevando as alíquotas como retaliação e buscando coibir práticas consideradas injustas.
O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, apresentou queixa formal junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que as sanções americanas violam as regras do comércio internacional e carecem de suporte técnico adequado. A diplomacia brasileira também questiona a consistência das investigações do USTR, apontando falta de transparência e critérios objetivos no processo que fundamentou as sobretaxas, o que, segundo Brasília, compromete a legalidade das medidas.








