Site icon Jetss BR

Lula reforça por 23 anos a demanda por reformar o Conselho de Segurança da ONU


Lula na 81ª Assembleia Geral da ONU defendendo reforma do Conselho de Segurança (Foto: Instagram)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nesta terça-feira (22.set.2026) a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, defendendo mais uma vez a reforma da composição do Conselho de Segurança e o fim do poder de veto das grandes potências. Sob sua liderança, a proposta de ampliar o número de membros permanentes e equilibrar a representatividade voltou a ser tema central, em um discurso que o chefe do Executivo brasileiro apresenta desde 2003.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online

Lula afirmou que 2026 representa o momento mais crítico para a ONU desde sua estreia na tribuna, classificando o veto como um “vício de origem” da Carta das Nações Unidas que confere às potências “o privilégio da insensatez”. No plenário, o presidente declarou: “somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel” e conclamou os líderes dos países com poder de veto a se reunirem para discutir mudanças urgentes.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein

A estratégia brasileira inclui o aumento do número de membros permanentes e a revisão das regras do veto. O Brasil integra o G4, ao lado de Alemanha, Índia e Japão, grupo que desde 2004 pleiteia maior representatividade no Conselho de Segurança. As negociações intergovernamentais sobre reforma (IGN) ocorrem desde 2009, sem um texto-base consolidado. Desde 1945, a única mudança na estrutura deu-se em 1965, quando os assentos não permanentes passaram de 6 para 10. Em setembro de 2024, o Pacto para o Futuro reconheceu América Latina e África como regiões sub-representadas, mas não alterou a composição. Em maio de 2026, o representante brasileiro na ONU, Sérgio Danese, voltou a defender ampla reforma, afirmando que o impasse é incompatível com a urgência estabelecida pelo pacto.

O uso recorrente do veto pelas potências tem sido um dos principais argumentos do Brasil. Em abril de 2024, os Estados Unidos barraram a resolução que recomendava admitir o Estado da Palestina como membro pleno da ONU. Em dezembro de 2023, rejeitaram sozinhos proposta de cessar-fogo na Faixa de Gaza. Já em março de 2024, Rússia e China vetaram uma iniciativa norte-americana que vinculava um cessar-fogo à libertação de reféns. Novos vetos dos Estados Unidos ocorreram em novembro de 2024 e junho de 2025.

No início de 2026, o governo brasileiro passou a questionar a proposta do Conselho da Paz, apresentada em janeiro pelo então presidente norte-americano, Donald Trump, que previa uma presidência vitalícia dos EUA com poder de veto e a exigência de contribuição de US$ 1 bilhão para assentos permanentes. Apesar de 17 países terem assinado o documento, o Brasil recusou o convite. O Planalto apontou três problemas no estatuto: a chefia fixa dos EUA, a barreira financeira para permanência e a ausência de possibilidade de emendas. Em 26 de janeiro, durante ligação de 50 minutos com Trump, Lula sugeriu que o novo conselho se limitasse a Gaza e incluísse um assento para a Palestina, antes de retomar a pauta de reforma da ONU.

Além de Trump, o presidente conversou sobre a centralidade da ONU com outros líderes. Xi Jinping, da China, recomendou recusar o convite ao Conselho da Paz e fortalecer o organismo. Emmanuel Macron, da França, tratou do reforço às Nações Unidas, e Narendra Modi, da Índia, manifestou apoio a uma “reforma abrangente” do Conselho de Segurança. Desde seu primeiro mandato, em 2003, Lula defende mudanças: já destacou a necessidade de refletir a realidade contemporânea, criticou estruturas anacrônicas, cobrou ação concreta, lamentou a credibilidade perdida e, mais recentemente, exigiu transformações na composição, nos métodos de trabalho e no veto.

Exit mobile version