Mercado já precifica novo corte da Selic em 2026

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Edifício-sede do Banco Central em Brasília, referência para a definição da Selic. (Foto: Instagram)

O mercado financeiro passou a estimar mais um corte na Selic em 2026, reduzindo a taxa de 13,75% para 13,50%, conforme o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (21.set.2026).

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Para analistas, no entanto, a diminuição da taxa básica de juros não assegura uma queda proporcional no custo do crédito, especialmente se o risco fiscal mantiver as taxas longas pressionadas.

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André Matos, CEO da MA7 Capital, afirma que a revisão ocorreu em meio à piora das perspectivas para a atividade. O Focus reduziu o PIB projetado para 2026 de 1,89% para 1,88% e para 2027 de 1,45% para 1,43%. “O motivo da revisão não é inflação melhor, é economia mais fraca”, explicou.

Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra, ressalta que juros menores não garantem recuperação consistente, pois empresas dependem também da curva longa, do câmbio e do prêmio de risco. “Podemos ter uma situação em que a Selic cai, mas o custo de capital continua alto.” Cassio Viana de Jesus, da Pilar Capital, destaca que a projeção do IPCA subiu de 4,90% para 4,92%, enquanto o crescimento recuou. Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, lembra que a Selic é apenas um dos componentes do crédito; custo de captação, risco de inadimplência, garantias e prazo também determinam as condições das operações.

Segundo Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, crescimento fraco, inflação resistente e dívida crescente podem manter elevado o prêmio de risco, e uma desvalorização do real pode pressionar a inflação e limitar o ciclo de cortes. Gustavo Assis, CEO da Asset, afirma que a queda na Selic pode não reduzir o custo dos financiamentos de longo prazo se a dívida pública continuar avançando. Para Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest, a projeção de crescimento de 1,43% para 2027 evidencia a necessidade de aprimorar produtividade, infraestrutura e segurança regulatória. Edgar Araújo, da Azumi Investimentos, alerta que dúvidas fiscais podem levar investidores a preferir aplicações de prazo mais curto, dificultando o financiamento de projetos de longo prazo.

Leticia Moschioni, sócia da Finscale, destaca que a eficiência na gestão de recebíveis, pagamentos e crédito pode ajudar empresas a enfrentar um cenário de juros ainda elevados. Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, acrescenta que a diferença entre as taxas brasileiras e norte-americanas também influencia a atratividade do real, e que a trajetória fiscal será determinante para a confiança dos investidores.