
Lula durante discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, defendendo ação internacional contra o crime organizado e a soberania nacional (Foto: Instagram)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na 3ª feira (22.set.2026), durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, que o enfrentamento ao crime organizado depende de articulação internacional para frear o fluxo de armas e dinheiro que sustenta essas redes criminosas. Ele destacou ter entregado pessoalmente uma proposta ao presidente dos Estados Unidos para combater a lavagem de dinheiro de suspeitos brasileiros no exterior.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
Lula ressaltou ainda que o Brasil não vai terceirizar a defesa de suas fronteiras nem transferir a outros países a responsabilidade de garantir a segurança da população. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, declarou, reforçando a ideia de soberania nacional.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
O presidente citou a inauguração, em Manaus (AM), do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, que integra autoridades de segurança dos nove países da região. Ele também mencionou a recente aprovação da Lei Antifacção, voltada a perseguir grupos violentos. A fala de Lula antecedeu o discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, com quem tem relação marcada por momentos de tensão, como a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações “terroristas” – definição contestada pelo governo brasileiro.
No pronunciamento, Lula criticou a atuação do Conselho de Segurança, afirmou que esta é a fase mais crítica para a ONU e questionou a capacidade do organismo de cumprir seu papel de proteger os vulneráveis. Alertou que a Organização Mundial do Comércio “respira por aparelhos” diante do uso de tarifas como arma. Defendeu ainda a necessidade de regulamentar big techs e inteligência artificial, rejeitou o “neoliberalismo sem regras” e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Por fim, considerou ilegal o embargo econômico a Cuba e condenou negócios de apostas sem fiscalização.
Este foi o 11º discurso de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU desde 2003. Além do primeiro ano de mandato, ele voltou à tribuna em 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024 e 2025. Em 2005 participou de reunião de alto nível, mas não fez o discurso principal, e em 2010 não viajou, sendo representado pelo então chanceler Celso Amorim.
Lula desembarcou em Nova York no domingo (20.set) e tem retorno agendado para o fim do dia 22. Antes de ir ao plenário, realizou encontros bilaterais, inclusive com o prefeito Zohran Mamdani, e deve se reunir com o secretário-geral da ONU, António Guterres. A agenda brasileira ainda inclui discussões sobre a Palestina e a solução de dois Estados, desigualdade global, consolidação da paz e o direito internacional humanitário. O chanceler Mauro Vieira presidirá a reunião da Zopacas, enquanto Wellington Dias participará de atividades da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
