
Flávio Bolsonaro no plenário do TSE durante investigação sobre rede de perfis no Instagram (Foto: Instagram)
O Tribunal Superior Eleitoral abriu na terça-feira, 22 de setembro de 2026, um inquérito para apurar uma rede de perfis no Instagram suspeita de veicular conteúdo eleitoral irregular em favor da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A ação também envolve o candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), e o postulante a deputado federal Mario Frias (PL-SP). A decisão do relator foi publicada oficialmente e está disponível em PDF.
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O pedido de liminar partiu da coligação Brasil Pronto para Mais, comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a campanha, há indícios de que a rede utilizou collabs para impulsionamento em massa sem contratação formal, além de conteúdo gerado por inteligência artificial sem a devida rotulagem. A coligação ainda acusa a comercialização de produtos de campanha sem registro contábil e suspeita de uso de verba parlamentar para custear ferramentas tecnológicas.
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De acordo com a acusação, o perfil oficial de Flávio Bolsonaro e de contas de apoio teriam participado ativamente das collabs e da promoção dos produtos. Pela regra da indivisibilidade da chapa, Alfredo Gaspar também responde na mesma ação. Já em relação a Mario Frias, a coligação afirmou ter identificado sua participação em dez publicações colaborativas e levantou a hipótese de que servidores dos gabinetes de Frias, Flávio e Gaspar foram utilizados para gerar o conteúdo.
O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva acolheu parcialmente o pleito, autorizando o prosseguimento da investigação e determinando a notificação dos três políticos para apresentarem defesa no prazo de cinco dias. Ele destacou que não houve condenação até o momento e que avaliará a competência do TSE para julgar Mario Frias, uma vez que sua candidatura a deputado federal por São Paulo poderia torná-lo sujeito ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.
Na decisão, Cueva instruiu a Meta a manter e preservar, por 48 horas, todos os registros de acesso, metadados de publicações em coautoria (incluindo data e hora do convite e aceite), cadastros de administradores, endereços IP de criação e acesso dos últimos 90 dias, bem como a identificação de contas vinculadas por central de contas, telefone ou e-mail e a existência de gerenciadores de anúncios. O descumprimento acarretará multa diária de R$ 50.000.
A coligação também detectou que 12 perfis com mais de 10 milhões de seguidores exibiam links encurtados da Shopee em suas biografias, direcionando para a loja Bella Chic Store, que comercializava itens com referências à campanha dos investigados. A Justiça Eleitoral ordenou a retirada desses links e solicitou dados cadastrais dos responsáveis pela loja, identificação dos donos dos links e eventual vínculo ao programa de afiliados da Shopee. O ministro, porém, negou medidas de suspensão das vendas e a entrega imediata de relatórios de comissões e dados bancários da loja.
