
Desembargador Newton Ramos Neto ao lado da advogada Camilla Rose Ferro Ramos (Foto: Instagram)
O desembargador Newton Pereira Ramos Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), proferiu ao menos dois votos que favoreceram os interesses do Banco Master no processo da Usina Cansanção, em Sinimbu (Jequiá da Praia, Alagoas), em recuperação judicial. A unidade busca calcular o valor de indenização que a União deve por supostos prejuízos da política de preços do setor sucroalcooleiro. Seis meses depois dessas decisões, sua esposa, a advogada Camilla Rose Ewerton Ferro Ramos, e o filho Gabriel Ribeiro Gonçalves Ramos assinaram contrato com o banco de Daniel Vorcaro, que pode render até R$ 427 milhões caso obtenha êxito em ações que somam R$ 8,5 bilhões.
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Em janeiro de 2024, durante sessão virtual realizada de 22 a 26, a 11ª Turma do TRF-1, por unanimidade, limitou a perícia que definiria o valor da indenização, atendendo ao recurso da usina. Entre 3 e 7 de junho do mesmo ano, o colegiado rejeitou, também por unanimidade, os recursos da União e manteve a restrição aos critérios originais do processo, decisões que beneficiaram diretamente o Master.
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Nesta terça-feira (22/09/2026), o advogado Alex Ferreira Borralho protocolou reclamação disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) solicitando investigação sobre possível conflito de interesses. Ele aponta que o desembargador pode ter atuado em benefício de Daniel Bueno Vorcaro e de sua própria família, diante das conexões econômico-financeiras entre o magistrado, o banco Master e o escritório de Camilla e Gabriel.
As procurações assinadas por Camilla e Gabriel datam de dezembro de 2024, cerca de seis meses após o segundo voto favorável de Newton Ramos. O contrato, revelado por meio de reportagens em abril, estipula honorários de até R$ 427 milhões para o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, caso todas as ações sejam vencidas.
A relação próxima entre Newton Ramos e o ministro do Supremo Tribunal Federal Nunes Marques também está em foco. Em novembro do ano passado, o casal viajou a Maceió acompanhado do ministro e sua esposa. Em dezembro, o desembargador concedeu liminar em causa defendida por Kevin Marques, filho de Nunes Marques, que havia recebido R$ 500 mil do Banco Master. Além disso, Kevin recebeu R$ 281,6 mil de outra empresa que teve contratos bilionários com o banco e com a JBS.
O TRF-1, maior tribunal regional federal do país, reúne 43 desembargadores e atua no Distrito Federal e em doze estados. Na primeira instância, a Justiça Federal de Brasília chegou a determinar o pagamento de precatórios antes do trânsito em julgado, mas a presidência do TRF-1 suspendeu esses repasses em 2022. Posteriormente, o Master adquiriu parte desses títulos e passou a integrar processos no tribunal, por meio de fundos de investimentos ligados ao banco, embora o desembargador não tenha atuado diretamente nesses casos.
Em nota, o desembargador federal Newton Ramos Neto afirmou que o Agravo de Instrumento nº 1026345-83.2021.4.01.0000 foi julgado em bloco, em sessão virtual com cerca de 300 processos, sem constar, na época, qualquer menção ao interesse do Banco Master. Segundo ele, a entrada do banco no caso ocorreu somente após o julgamento, e o impedimento legal foi registrado em seguida.
