Trump vai protelar regulação da IA com a China sob influência de Meta e Nvidia

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Donald Trump e Xi Jinping posam sob bandeiras dos EUA e da China antes de reunião sobre tarifas e regulamentação de IA (Foto: Instagram)

O presidente Donald Trump tem enfrentado intensa pressão para fechar um acordo com a China sobre regulação da inteligência artificial, mas deve limitar-se a propostas superficiais, como a criação de um grupo de trabalho bilateral para discussões sem compromisso real. Na prática, a estratégia diplomática de formar comitês costuma ser usada quando não se quer avançar em medidas concretas.

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Há ainda a hipótese de que EUA e China concordem apenas em compartilhar informações sobre incidentes de IA que possam ameaçar a segurança nacional. Esse é o ponto defendido pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, em Nova York no domingo (20.set.2026). Mesmo assim, Bessent não é o principal conselheiro de Trump em assuntos de inteligência artificial.

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Na quinta-feira (24.set.2026), Trump recebe o presidente chinês Xi Jinping para tratar de tarifas, minerais críticos e segurança da IA. O mandatário norte-americano sofre pressão de três frentes: a opinião pública antes das eleições de meio de mandato, um manifesto de 22 países na ONU e demandas vindas de grandes empresas de tecnologia.

Em pesquisa da Universidade de Massachusetts Amherst, 57% dos eleitores desaprovam a inércia de Trump em relação à IA, 7 pontos a mais que em março, e apenas 23% consideram suas ações satisfatórias. Foi para conter essa insatisfação que ele anunciou a nomeação de um “czar da IA”, gastando mais recursos de marketing político do que propondo medidas efetivas.

Na véspera da Assembleia Geral da ONU, 22 países assinaram um manifesto pedindo um órgão internacional de supervisão da IA, semelhante ao controle de energia nuclear. Liderados por Noruega e Finlândia, eles conseguiram o apoio de Alemanha, Espanha, Holanda, Dinamarca, Austrália, Turquia, Cingapura e África do Sul. Embora Trump ignore resoluções da ONU, o respaldo de nações ricas reforça a impressão de que os EUA ficam isolados.

O setor privado também pressiona por regulamentação. Dario Amodei, da Anthropic, propôs uma pausa no desenvolvimento de IA com o apoio de Elon Musk, do xAI, e de Sam Altman, da OpenAI. Amodei e Altman estão agendados para um painel do Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira (23.set.2026). Na segunda (21.set.2026), Altman divulgou um manifesto sugerindo que os EUA liderem a segurança global da IA, iniciativa criticada por especialistas como Dominick Romano, que a comparou a chamar Al Capone para orientar o FBI.

Apesar disso, Trump deve se limitar a medidas cosméticas: nomear um “czar da IA” – Scott Bessent é cotado – e substituir “inteligência artificial” por “superinteligência” nos documentos oficiais, segundo anunciou na terça (22.set) na ONU. Ele disse ter feito uma enquete em redes sociais, na qual “superior intelligence” obteve 65% dos votos em comparação a 35%, dentre 50.707 participantes.

O termo “inteligência artificial” foi cunhado em 1956 por John McCarthy em uma conferência no Dartmouth College. Cientistas nunca demonstraram grande preocupação com a expressão, e a proposta de renomeação tem sido vista como superficial e mais adequada a premiações satíricas do que a políticas sérias.

A perspectiva de não haver regulamentação sólida decorre também da influência que Zuckerberg, da Meta, e Jensen Huang, da Nvidia, exercem sobre Trump. Zuckerberg comemorou o sucesso do modelo Muse, que ultrapassou o ChatGPT na App Store dos EUA, enquanto as ações da Meta subiram 11,4% na Nasdaq na terça-feira, maior alta diária desde abril de 2025. A Nvidia projeta receitas de US$ 1 trilhão com chips de IA no próximo ano. Para esses executivos, “regulação” é palavrão, e Trump se alinha aos interesses do clube do trilhão.