
Bolsa de Nova York recua com tensão EUA-Irã e alta nos rendimentos do Tesouro (Foto: Instagram)
As bolsas de Nova York encerraram o pregão de quarta-feira (23) em queda, acompanhando o avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã. O Dow Jones caiu 0,68%, a 51.512,42 pontos; o S&P 500 recuou 0,75%, para 7.706,39 pontos; e o Nasdaq teve queda de 1,13%, fechando em 26.936,04 pontos. Esse movimento reflete a pressão de investidores diante da possibilidade de aperto monetário mais intenso por parte do Federal Reserve.
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Os setores de serviços básicos, consumo discricionário e serviços de comunicação lideraram as perdas, com quedas superiores a 1% em cada um. Além dos juros, o preço do petróleo subiu, impulsionado pelo impasse nas negociações entre EUA e Irã, depois que representantes do regime persa elevaram o tom contra Washington durante sessão na ONU. O avanço das commodities energéticas tende a reforçar a preocupação com custos e inflação global.
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De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, o mercado aumentou a probabilidade de um novo ajuste de 50 pontos-base na taxa de juros do Fed até dezembro, em meio ao agravamento do quadro geopolítico. A nota de 10 anos do Tesouro (T-note) chegou a render 5,135% no pico da sessão, o maior nível desde julho de 2007, segundo dados da Dow Jones Newswires. Além disso, indicadores de PMI nos EUA e declarações de dirigentes do banco central reforçaram temores de maior inflação.
No índice Nasdaq, mais sensível às variações nas taxas de juros, as ações ligadas à inteligência artificial sofreram forte pressão. A Sandisk registrou queda de 3,73%, a Broadcom recuou 2,62% e a Micron teve baixa de 2,22%. Em contrapartida, a Palantir avançou 3,68% após o órgão regulador de aviação dos Estados Unidos adotar sua ferramenta de IA para o controle do tráfego aéreo em três grandes aeroportos da região de Washington.
Para analistas da corretora Charles Schwab, as questões geopolíticas devem permanecer no centro das atenções nesta semana, principalmente pelo efeito dos preços do petróleo nos rendimentos dos títulos públicos dos EUA. Segundo eles, a liderança do mercado tem alternado entre o setor de energia e o de tecnologia, enquanto investidores aguardam o encontro entre Xi Jinping e Donald Trump, marcado para esta quinta-feira, como possível definidor de novos rumos para a economia global.
No horizonte, operadores seguem monitorando de perto os próximos indicadores de inflação, declarações de autoridades do Fed e o desenrolar das negociações no Oriente Médio, que podem influenciar diretamente o custo do dinheiro e o apetite por risco. Além disso, resultados corporativos do fim do trimestre e eventuais pautas políticas devem contribuir para a volatilidade dos mercados americanos nas próximas sessões.
