
Lula e Flávio Bolsonaro em foco: PT pede apuração de supostos recursos estrangeiros na eleição de 2026 (Foto: Instagram)
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou no Tribunal Superior Eleitoral, em 23 de setembro de 2026, um pedido para apurar se houve recursos estrangeiros com o objetivo de influenciar o processo eleitoral brasileiro. No documento, a coligação ressalta a necessidade de transparência sobre a origem de verbas e a participação de agentes externos na disputa. “Uma eleição soberana exige clareza sobre quem financia e promove ações destinadas a influenciar o eleitor brasileiro”, declarou Angelo Ferrero, responsável pela área jurídica da campanha de Lula.
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O requerimento cita notícias de que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio e Eduardo (PL), teriam mantido negócios paralelos com autoridades dos Estados Unidos, incluindo o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio, fora dos canais diplomáticos oficiais. Há ainda menção a uma reportagem do site Amado Mundo que trata de um possível apoio financeiro da Rockbridge Network à candidatura de Flávio Bolsonaro.
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Além dos irmãos Bolsonaro, o pedido inclui o deputado Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice na chapa de Flávio, buscando a cassação dos registros de candidatura e a inelegibilidade de ambos por oito anos, por suposto abuso de poder econômico, político e uso indevido dos meios de comunicação.
A petição descreve uma “infraestrutura de intervenção externa” estruturada em frentes comunicacional, institucional e diplomática. Segundo o texto, ações norte-americanas como sanções, tarifas e cancelamento de vistos teriam sido usadas com aparência de medidas diplomáticas para beneficiar eleitoralmente Flávio Bolsonaro. Embora reconheça esses atos como poderes de Estado, o documento aponta que os investigados teriam acesso privilegiado para provocá-los e converter seus efeitos em vantagem política.
O texto admite que a acusação contra a Rockbridge Network ainda carece de comprovação e solicita a oitiva de testemunhas consideradas estratégicas, incluindo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o candidato Renan Santos (Missão); e o empresário Tallis Gomes, que afirma integrar a organização.
O Palácio do Planalto monitora desde o início do ano o possível apoio dos EUA à candidatura de Flávio Bolsonaro. O alerta foi acionado em janeiro, após a operação americana na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro, levando assessores de Lula a analisarem como a política externa de Donald Trump poderia influenciar as eleições nacionais.
Em abril, esse acompanhamento se estendeu às disputas na Hungria, no Peru e na Colômbia, consideradas um termômetro da ascensão da direita global e do alcance das ideias trumpistas fora dos Estados Unidos. Internamente, o governo brasileiro avalia também declarações de aliados de Jair Bolsonaro que buscam internacionalizar o debate político local.
O Planalto entende que Trump demonstra simpatia pela família Bolsonaro, percepção reforçada pelo aumento de tarifas anunciado em julho com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Desde então, assessores de Lula associam medidas americanas de regulação das big techs, do Pix e de críticas ao setor de mineração a tentativas de influenciar o pleito. A campanha petista aposta na relação pessoal entre Lula e Trump – sete contatos desde setembro de 2025, o último em 21 de julho, quando o presidente brasileiro enfatizou a confiabilidade do sistema eleitoral nacional.








