
Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, em entrevista durante evento do LIDE. (Foto: Instagram)
A Polícia Federal adiou o depoimento do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, que estava marcado para a próxima quinta-feira (24 de setembro de 2026). Os investigadores buscam esclarecer as atividades do grupo denominado “A Turma”, apontado como responsável por ações de intimidação presencial contra adversários e vigilância de alvos. A nova data para a oitiva ainda não foi divulgada pelas autoridades.
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O pedido de adiamento foi feito pela defesa de Vorcaro, que argumentou não ter tido acesso completo aos autos do inquérito. Os advogados afirmam que precisam analisar todos os documentos e garantias processuais antes de prestar esclarecimentos, evitando qualquer prejuízo ao direito de ampla defesa.
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Conforme apurou a PF, Vorcaro mantém dois núcleos com atribuições distintas, mas que atuam de forma articulada: “A Turma”, dedicada à intimidação presencial, monitoramento de alvos e captação ilegal de informações sigilosas, e “Os Meninos”, responsável por ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais e espionagem digital.
As investigações sobre possíveis fraudes no Banco Master estão concentradas na Operação Compliance Zero, autorizada em novembro de 2025 pela 10ª Vara Federal de Brasília. Na primeira fase, executivos da instituição foram presos temporariamente e, posteriormente, liberados com tornozeleira eletrônica. Em dezembro, o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal e passou a tramitar sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, que deu aval à segunda fase em janeiro de 2026.
Em janeiro, a PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro, apreendendo veículos, relógios e valores que totalizaram mais de R$ 5,7 bilhões bloqueados. No início de março, o ex-banqueiro foi preso novamente após o ministro André Mendonça autorizar nova etapa do procedimento. Na mesma ocasião, um colaborador de Vorcaro tentou tirar a própria vida enquanto estava detido e veio a falecer dois dias depois.
A quarta fase da operação, em abril de 2026, prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, por suspeita de intermediar operações sem lastro e receber propina em imóveis de luxo. Em maio, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de mandados após ser citado em pagamento de propina — ele nega as acusações — e teve R$ 18,85 milhões bloqueados. Pouco depois, foram expedidos mandados contra o pai de Vorcaro, apontado como articulador de esquemas de espionagem.
Nas fases seguintes, a PF apurou vazamento de dados sigilosos e afastou um perito da corporação por determinação do STF. Em 26 de maio, o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) teve seus bens alvo de buscas em investigação sobre possível envolvimento em irregularidades com o Rioprevidência. Em junho, o senador Jaques Wagner (PT-BA) recebeu medidas cautelares, proibido de atuar em empresas ligadas ao caso e de manter contato com investigados, exceto em assuntos familiares.
