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Democratas dos EUA acenam a Lula e acusam Trump de interferir no Brasil


Bernie Sanders e Lula em encontro em Nova York (Foto: Instagram)

Um grupo de 30 deputados democratas dos EUA e o senador independente Bernie Sanders enviou, na quinta-feira (24.set.2026), uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, acusando o governo Donald Trump de promover uma campanha de interferência e desestabilização no Brasil antes das eleições presidenciais de outubro.

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Os congressistas manifestaram preocupação com um suposto “esforço coordenado” do Executivo americano para pressionar instituições brasileiras e enfraquecer a democracia nacional. Na carta, pedem que os Estados Unidos respeitem o processo eleitoral, reconheçam o resultado certificado das urnas e mantenham relações diplomáticas regulares com o futuro presidente.

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O documento faz menção a um pedido semelhante feito por Bernie Sanders em vídeo antes do pleito de 2022 e à resolução aprovada no mesmo ano pelo Senado americano em apoio aos resultados das urnas brasileiras. Em seguida, detalha uma série de medidas adotadas desde o início do segundo mandato de Trump, entre elas a imposição de tarifas a produtos do Brasil, sanções a autoridades, o papel de Darren Beattie no Departamento de Estado e o relacionamento de Trump com o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo os parlamentares, a pressão norte-americana intensificou-se em 2025, quando Trump aplicou taxas e sanções enquanto o Supremo Tribunal Federal julgava o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), numa tentativa de influenciar o processo judicial em curso. Eles também criticam a nomeação de Darren Beattie como assessor sênior para assuntos do Brasil, qualificando-o como extremista de direita, e destacam a reunião entre Trump e Flávio Bolsonaro na Casa Branca, na qual o senador pleiteou a declaração do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.

Dois dias após esse encontro, o Departamento de Estado classificou as facções como grupos terroristas estrangeiros, medida que, na avaliação dos deputados, poderia justificar ações contra instituições brasileiras. O texto ainda aborda a tentativa de entrada no Brasil de Riley M. Barnes e Samuel Samson, do Departamento de Estado, para questionar a integridade do sistema eleitoral, o que levou à recusa de seus vistos. Posteriormente, a administração Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.

Os congressistas também questionam a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes, solicitando explicações sobre os critérios usados. No encerramento, cobram um posicionamento claro sobre o respeito ao pleito de 2026 e o reconhecimento do resultado, independentemente do eleito, além de detalhes sobre a classificação das facções, a revogação de vistos e o uso da Lei Magnitsky. Foi dado prazo até 1º de outubro de 2026 para resposta, e não havia resposta pública até a data desta reportagem.

A iniciativa do grupo ocorre dias após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exaltar na Assembleia Geral da ONU a necessidade de barrar interferências externas em processos eleitorais, defendendo a soberania nacional, e de se reunir com Bernie Sanders em Nova York, durante a mesma sessão.

A carta foi assinada por Delia C. Ramirez, Jesús G. “Chuy” García, Pramila Jayapal, Bernie Sanders, Jasmine Crockett, Maxine Waters, Summer L. Lee, Jonathan L. Jackson, Eleanor Holmes Norton, Henry C. “Hank” Johnson Jr., Rashida Tlaib, André Carson, Maxwell Alejandro Frost, Mark Pocan, Greg Casar, Jim Costa, James P. McGovern, Mike Quigley, Stephen F. Lynch, Yvette D. Clarke, Ilhan Omar, Nydia M. Velázquez, Robert Garcia, Adelita S. Grijalva, Mark DeSaulnier, Sylvia R. Garcia, Jan Schakowsky, Joaquin Castro, Alexandria Ocasio-Cortez, Ro Khanna e Steve Cohen.

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