
Jogador do Flamengo celebra gol com braços abertos em estádio lotado (Foto: Instagram)
O Flamengo divulgou nota nesta sexta-feira (25.set.2026) em que critica a possibilidade de proibição das bets no Brasil, argumentando que a medida fortaleceria o mercado clandestino e reduziria recursos destinados ao esporte e à arrecadação pública.
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A manifestação do clube ocorre após o governo de Luiz Inácio Lula da Silva anunciar, também na sexta, propostas para endurecer as regras dos jogos de azar online. O Planalto programou, para as 17h, a apresentação de restrições ao setor e de iniciativas para renegociação das dívidas das famílias.
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Em seu comunicado, o Flamengo reforçou que a regulamentação das apostas pode e deve ser aperfeiçoada, com normas mais rigorosas, mas posicionou-se contra uma proibição total. “Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório”, afirmou o clube.
O texto destaca que uma alteração dessa magnitude comprometeria a segurança jurídica e afetaria diretamente o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos. O Flamengo também lembrou que empregos, fornecedores e empresas de comunicação, marketing e tecnologia do setor seriam impactados.
Na nota, o clube salientou que impedir a atuação das operadoras autorizadas não extinguiria as apostas, mas abriria espaço para plataformas clandestinas. Citou pesquisa do Instituto Locomotiva, de maio de 2026, com 2.291 apostadores, e estimativas da LCA Consultores apontando que, no primeiro semestre de 2026, entre 38% e 44% do valor apostado online já ocorre em sites clandestinos, contra 41% a 51% em 2025. “O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar”, ressaltou.
O Flamengo acrescentou que uma eventual proibição reduziria a arrecadação pública obtida por meio de impostos e das destinações previstas na legislação vigente.
Esse posicionamento surge em um momento em que as casas de apostas representam fatia significativa das receitas do clube. Segundo levantamento da Sports Value, o Flamengo recebeu R$ 269 milhões em patrocínios de bets em 2025, o maior valor entre os clubes analisados, equivalente a 50% da receita de marketing e a 13% do faturamento total.
Empresas do setor também vêm reagindo às possíveis restrições. Casas de apostas notificaram os clubes do Brasileirão sobre a chance de rescindir contratos de patrocínio caso novas medidas governamentais impactem sua operação, e emissoras de televisão receberam alertas semelhantes.
