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Assange afirma que Lula atuou por sua liberdade e critica os Bolsonaros


Às vésperas da eleição, Julian Assange elogiou Lula e criticou Jair e Flávio Bolsonaro. (Foto: Instagram)

A um dia da eleição, em 24 de outubro de 2026, Julian Assange, jornalista australiano e fundador do WikiLeaks, elogiou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e criticou Jair Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em publicação no X, afirmou que Lula trabalhou por sua liberdade, enquanto os dois integrantes da família Bolsonaro “não fizeram nada”.

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Assange passou 1.901 dias em solitária por divulgar informações sobre assassinatos e espionagem do governo dos Estados Unidos, inclusive contra o Brasil e suas indústrias. Segundo ele, Lula defendeu sua libertação antes de assumir a Presidência e conversou sobre a perseguição ao jornalista com o papa Francisco. Depois de sair da prisão, Assange encontrou Lula em Roma, em abril de 2025. Os dois lamentaram a morte de Francisco; o australiano disse que o presidente foi gentil com seus filhos e não pediu nada em troca. Em contraste, escreveu que Jair e Flávio Bolsonaro não fizeram nem disseram nada. Também associou a postura da família à influência dos Estados Unidos e de Israel: sem poder dizer não a Washington e Tel Aviv, afirmou, não haveria política doméstica, mas apenas instruções estrangeiras.

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Assange criou o WikiLeaks em 2006. Em agosto de 2010, um promotor sueco expediu mandado de prisão após duas mulheres o acusarem, em relatos separados, de estupro e abuso sexual. Em novembro daquele ano, o site começou a publicar telegramas diplomáticos obtidos de fonte anônima; o Departamento de Justiça dos EUA abriu uma investigação, e a fonte foi identificada depois como Chelsea Manning. A Suécia também emitiu mandado internacional. Em maio de 2012, a Suprema Corte britânica decidiu pelo retorno de Assange à Suécia, mas seus advogados pediram adiamento. Em agosto, ele recebeu asilo na Embaixada do Equador em Londres, onde havia entrado em junho, devido a preocupações com abusos de direitos humanos caso fosse extraditado. Em agosto de 2015, promotores suecos retiraram acusações de abuso sexual após prescrever o prazo para interrogá-lo, mas a acusação de estupro continuou.

Em fevereiro de 2016, um grupo de trabalho da ONU considerou Assange “detido arbitrariamente” pela Suécia e pelo Reino Unido desde dezembro de 2010 e pediu o fim da privação de liberdade. Em outubro, o Equador informou que cortara sua internet por causa da divulgação de e-mails hackeados durante a eleição norte-americana de 2016, posteriormente relacionados à interferência russa em favor de Donald Trump; Assange anunciou em dezembro que a conexão havia voltado. Em abril de 2017, Mike Pompeo, então diretor da CIA, chamou o WikiLeaks de serviço de inteligência hostil não estatal e ameaça à segurança nacional dos EUA. No mês seguinte, promotores suecos encerraram a investigação de sete anos sobre a alegação de estupro. Em dezembro, o Equador concedeu cidadania a Assange, numa tentativa fracassada de obter imunidade diplomática. Em fevereiro de 2018, a juíza britânica Emma Arbuthnot manteve as acusações por ele ter descumprido a fiança em 2012.

Em abril de 2019, uma semana antes da prisão, o presidente equatoriano disse que Assange havia violado repetidamente o acordo firmado com ele e seu advogado. Em 11 de abril, o jornalista foi preso por mandado de extradição dos EUA, após o Equador retirar o asilo, e foi considerado culpado de não pagar a fiança determinada pela Justiça britânica. Em 1º de maio, recebeu pena de quase um ano de prisão no Reino Unido. Em 23 de maio, os EUA o acusaram com base na Lei de Espionagem, em 18 acusações que levantaram questões sobre a 1ª Emenda, garantidora da liberdade de expressão. O pedido de extradição foi apresentado em 11 de junho e rejeitado em janeiro de 2021, devido ao risco de suicídio. Em 28 de outubro, os EUA tentaram novamente obter sua extradição e negaram que sua saúde mental o impedisse de enfrentar o sistema judicial norte-americano.

Em 20 de abril de 2022, a Justiça britânica expediu ordem de extradição; em 17 de junho, o Reino Unido a aprovou. A Suprema Corte britânica rejeitou o último recurso em 6 de junho de 2023, e a defesa apresentou novo recurso em 13 de junho. Em 14 de fevereiro de 2024, o Parlamento australiano pediu que Assange pudesse voltar à terra natal. Em 26 de março, a Suprema Corte britânica decidiu pela extradição, mas aceitou recurso e solicitou informações aos EUA, enviadas em 16 de abril. Em 24 de junho, Assange e o governo norte-americano chegaram a um acordo, e ele deixou a prisão de segurança máxima de Belmarsh, no Reino Unido. Lula celebrou a libertação como vitória da democracia e, em outras ocasiões, criticou a prisão e defendeu a liberdade do jornalista.

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