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Árvore nativa melhora a saúde do solo de pastagens


Estudo aponta benefícios do bordão-de-velho para o solo em sistemas que integram árvores e pecuária. (Foto: Instagram)

Pesquisa da Embrapa e do Cena-USP (Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo) identificou benefícios do bordão-de-velho (Samanea tubulosa) em sistemas silvipastoris, que combinam pecuária e produção florestal. A árvore favorece a qualidade biológica do solo, que pode armazenar mais carbono e abrigar comunidades de microrganismos mais estáveis e com maior diversidade.

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O estudo integra a tese de doutorado de Henrique Nery Cipriani, pesquisador da Embrapa Florestas, no Paraná. A pesquisa foi orientada por Tsai Siu Mui, professora do Cena-USP, no campus de Piracicaba. Cipriani destaca que a espécie já era considerada uma das mais adequadas para integrar pastagens: oferece sombra ao gado, fixa nitrogênio no solo e produz frutos consumidos pelos animais.

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Leguminosa nativa da América tropical, a Samanea tubulosa ocorre em quase todas as regiões brasileiras e também em outros países da América do Sul. No Brasil, há registros em Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e Sergipe. Essa presença em diferentes regiões e formações vegetais reflete sua adaptação a diversas condições ambientais.

A árvore, da família Fabaceae — a mesma da soja e do feijão —, também é chamada de barba-de-velho, abobreira, farinha-seca, ingá-de-pobre, samaneiro, sete-cascas e árvore-da-chuva. Pode alcançar cerca de 28 metros de altura, tem copa ampla e flores brancas, rosadas ou púrpuras. Seus frutos são vagens procuradas pelo gado, e tanto eles quanto os ramos podem ser aproveitados na alimentação animal.

Além de fornecer sombra, a espécie apresenta raízes com nódulos associados a bactérias do gênero Rhizobium. Pode ser usada em sistemas agroflorestais e silvipastoris, assim como em projetos paisagísticos e para obtenção de madeira. Embora o aproveitamento madeireiro do bordão-de-velho não seja tão vantajoso quanto o do eucalipto, Cipriani afirma que os outros benefícios tornam a árvore uma opção interessante para pecuaristas.

A pesquisa faz parte de uma linha de estudos de Cipriani sobre a qualidade do solo em sistemas silvipastoris. Um artigo publicado na Revista Brasileira de Ciência do Solo, com o título “Native tree species in silvopastoral system outperforms Eucalyptus in enhancing soil health”, apresenta resultados de amostras coletadas em 2022. A tese analisou amostras de 2024, e os trabalhos são complementares.

Segundo Tsai Siu Mui, os resultados contribuem para a discussão sobre a sustentabilidade da agropecuária tropical ao comparar os efeitos do bordão-de-velho com os do eucalipto (Eucalyptus pellita). A orientadora considera promissor o potencial da biodiversidade nativa para a ciclagem de nutrientes e o sequestro de carbono, e afirma que as descobertas ampliam as possibilidades de manejo desses sistemas no Brasil. O texto original da Embrapa foi publicado em 20 de outubro de 2026.

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