
Mesmo com o voto facultativo, idosos foram às urnas no segundo turno e reafirmaram seu compromisso com a democracia. (Foto: Instagram)
Neste segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro, idosos como José Evandro Camurça, Neide Rocha Camurça Barbosa, João Ernandes Evangelista Maia, Teresa Machado, João César de Freitas Pinheiro, Maria da Glória de Freitas da Silva e Mirian Costa Lima compareceram às urnas. A cobertura e os relatos citam Diário do Nordeste, Círculo Militar, Escola Municipal São Rafael, Rádio Senado, Movimento Voto 70+, centro de pesquisa Data8, Agência Brasil e Justiça Eleitoral; as imagens são creditadas a Paloma Vargas.
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Mesmo com dificuldades de locomoção, entre elas o uso de cadeiras de rodas e andadores, os eleitores fizeram questão de participar. Alguns foram acompanhados por familiares. No Brasil, o voto é facultativo para quem tem 70 anos ou mais, mas esses idosos decidiram exercer o direito de escolher o próximo presidente e participar da definição dos rumos do país pelos quatro anos seguintes. Muitos viveram o período em que o país foi marcado pela ditadura.
Em Fortaleza, no Ceará, José Evandro Camurça, de 95 anos, e Neide Rocha Camurça Barbosa, de 93, foram ao Círculo Militar, no bairro Meireles, com o apoio das filhas. Neide disse que pretende votar enquanto tiver vida e que sente prazer em participar. José Evandro afirmou que vota também por outras pessoas e considera a presença nas eleições uma responsabilidade democrática. Mesmo aos 93 anos, Neide contou que se preocupa com o futuro do Brasil e quer que o país seja conduzido da melhor maneira.
O Brasil tem quase 300 mil eleitores cadastrados com mais de 100 anos e 8,7 milhões de pessoas com 70 anos ou mais. Esse grupo teve aumento na participação eleitoral em 2026. Já no primeiro turno, mais de 2.100 centenários votaram no país. João Ernandes Evangelista Maia, de 86 anos, também compareceu em Fortaleza, na Escola Municipal São Rafael, na Praia de Iracema. Depois de passar décadas sem votar, ele disse que espera ver mudanças no país e considera importante participar quando se busca melhorar a situação.
Em Brasília, Teresa Machado, de 83 anos, contou à Rádio Senado que sempre fez questão de votar, inclusive após morar fora do Brasil. Para ela, quem participa pode cobrar decisões, enquanto quem não participa fica de fora e aguarda o que os outros decidem. Teresa explicou que vota pensando nas próximas gerações: quer deixar um legado para filhos, netos e bisnetos e acredita que escolher é uma forma de buscar o melhor para eles.
João César de Freitas Pinheiro, de 77 anos, compareceu ao Círculo Militar de Fortaleza com a esposa, Maria da Glória de Freitas da Silva. Depois de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), passou a ter dificuldades de locomoção e precisa de um andador, mas afirmou que continua exercendo seu direito de cidadão. Mirian Costa Lima, de 76 anos, também foi votar em Fortaleza, desta vez em uma cadeira de rodas. Embora não fosse obrigada a votar havia seis anos, disse que queria ajudar seu candidato e que um voto pode fazer diferença.
Segundo levantamento do Movimento Voto 70+ e do centro de pesquisa Data8, divulgado pela Agência Brasil, o comparecimento de eleitores com 70 anos ou mais cresceu 43% no primeiro turno de 2026 em relação a 2022. Foram 8,77 milhões de idosos votando neste ano, ante 6,13 milhões nas eleições anteriores. Pela primeira vez desde 2014, mais da metade dos eleitores dessa faixa etária compareceu às urnas. Os dados do segundo turno ainda dependem da consolidação da Justiça Eleitoral. As histórias mostram a disposição dos idosos de participar das decisões nacionais e de pensar no país que ficará para filhos, netos e bisnetos.








