Manejo correto recupera pastagens e aumenta o estoque de carbono

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Estudos no interior paulista indicam que o manejo adequado de pastagens pode elevar a produtividade e aumentar o carbono armazenado no solo. (Foto: Instagram)

Recuperar pastagens degradadas pode combinar produção pecuária e benefícios ambientais. Experimentos de longa duração no interior paulista indicam que ajustes no solo e no número de animais elevam a produtividade e ajudam a armazenar carbono. A pesquisa também desenvolveu formas mais simples e baratas de medir o carbono retido, o que pode facilitar o acesso de produtores ao mercado de créditos de carbono.

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Os estudos integram um projeto temático apoiado pela Fapesp e coordenado por Ladislau Martin Neto, pesquisador da Embrapa Instrumentação. Os pesquisadores compararam pastagens degradadas, sem adubação e submetidas a pastejo contínuo, com áreas manejadas em diferentes níveis. A intensificação moderada combina correção da acidez do solo, fertilizantes e lotação equilibrada; sistemas mais intensivos incluem irrigação, mais nitrogênio e maior densidade de animais.

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Na área de intensificação moderada, o carbono armazenado no primeiro metro de solo passou de 102 para 162 toneladas por hectare entre 2011 e 2020. O acréscimo médio foi de cerca de duas toneladas por hectare ao ano em relação à pastagem degradada. As análises indicaram que parte importante do carbono veio do capim cultivado. Segundo Patrícia Perondi Anchão Oliveira, líder do experimento, o manejo eficaz não depende de tecnologias inacessíveis e pode ser aplicado com capins adaptados ao clima brasileiro e gado como o nelore.

Após mais de duas décadas de manejo, a pastagem acumulou 148 toneladas de carbono por hectare na forma de matéria orgânica associada aos minerais do solo, ante 92 toneladas na área degradada. Os resultados apontam que é possível recuperar solos e ampliar o armazenamento de carbono em áreas já destinadas à pecuária, sem avançar sobre a vegetação nativa. O estudo foi publicado na revista Geoderma.

Para avaliar se o carbono fica retido por mais tempo, a equipe investigou sua associação com minerais, como argilas e óxidos de ferro e alumínio. Essas interações podem dificultar a decomposição da matéria orgânica. Com a técnica NanoSIMS, os pesquisadores mapearam componentes do solo em escala nanométrica. As análises, feitas na Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, mostraram que a matéria orgânica cobria, no máximo, cerca de 3% das superfícies minerais observadas na camada superficial.

A pequena cobertura sugere que ainda há superfícies minerais disponíveis para novas associações com matéria orgânica. Os pesquisadores também destacam que a entrada de compostos orgânicos e a atividade dos microrganismos são importantes para esse processo. Além do benefício climático, mais matéria orgânica pode favorecer a fertilidade: na camada de até 5 centímetros, a capacidade de troca catiônica da pastagem bem manejada foi aproximadamente 250% superior à da degradada.

Outro estudo, publicado na revista Soil & Tillage Research, comparou combinações de fertilização nitrogenada, irrigação e lotação animal. Os resultados indicam que intensificar a produção não significa necessariamente ampliar o armazenamento de carbono. O manejo adequado pode aumentar a cobertura vegetal e a entrada de raízes e resíduos no solo, favorecendo a formação de matéria orgânica, a retenção de nutrientes e a produtividade.