
Hospital Albert Einstein se manifesta após cardiologista dizer que não atenderia eleitores do PT. (Foto: Instagram)
Uma publicação do cardiologista Clederson Henry Dina nas redes sociais provocou repercussão às vésperas do segundo turno das eleições de 2026. O médico declarou que não atende eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT) e usou a expressão “petistas vagabundos”. O caso levou o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, a se manifestar.
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Em uma sequência de publicações no Instagram, Dina também fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que dispõe de “recursos” para evitar atender pessoas que apoiam o partido. Ele não explicou como identificaria a preferência política de pacientes. As mensagens foram apagadas antes de completarem 24 horas no ar.
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Depois da repercussão, referências ao Hospital Albert Einstein e à clínica do infectologista David Uip foram retiradas da descrição do perfil do cardiologista. Em nota, o Einstein afirmou que declarações individuais de profissionais que trabalham na instituição não representam a posição oficial do hospital e ressaltou que não tolera manifestações discriminatórias.
A instituição declarou repudiar veementemente qualquer manifestação ou ação discriminatória, além de condutas que desrespeitem os direitos e a dignidade de qualquer pessoa. Também informou que a situação envolvendo Dina está sendo tratada conforme o código de ética, os princípios e as diretrizes internas.
O hospital acrescentou que cerca de 20 mil médicos, autônomos e contratados, atuam em suas dependências. Até a divulgação das informações, não havia detalhado possíveis medidas em relação ao cardiologista. A assessoria de David Uip esclareceu que Dina não integra o quadro de funcionários do consultório do infectologista e apenas aluga uma sala no mesmo edifício.
Dina foi procurado para comentar as declarações, mas não havia respondido até a publicação das informações consultadas. A repercussão também trouxe questionamentos sobre sua relação profissional com a clínica de Uip, esclarecida pela assessoria do infectologista.
O Código de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina (CFM) determina que a profissão seja exercida sem discriminação de qualquer natureza. A assistência deve ser definida pelas necessidades de saúde do paciente, independentemente de suas convicções políticas. O documento também proíbe que médicos deixem de prestar atendimento em serviços de urgência e emergência quando isso for de sua responsabilidade. A possibilidade de recusar um atendimento depende das circunstâncias, mas a preferência política do paciente não deve justificar uma conduta discriminatória.
