Reeleito, Lula anuncia mudanças em educação, tecnologia e saúde; veja promessas

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Após a vitória no segundo turno, Lula apresentou propostas para educação, saúde, tecnologia e proteção social. Flávio Bolsonaro anunciou que pretende contestar o resultado na Justiça. (Foto: Instagram)

Após a vitória no segundo turno das eleições presidenciais, na noite de domingo, 25 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou compromissos para o novo mandato em educação, tecnologia, saúde, segurança e proteção social. Entre os anúncios estão o Pé-de-Meia universitário e medidas para o Sistema Único de Saúde (SUS). A reportagem também aborda declarações de Flávio Bolsonaro (PL), a decisão de Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e os pedidos apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relacionados a localidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Lula citou ainda Marina Silva, João Paulo Capobianco e o deputado André Janones, além do canal Exército do Lula, do Congresso Nacional e da comemoração prevista na Avenida Paulista, em São Paulo.

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Em pronunciamento improvisado depois da confirmação da reeleição, Lula agradeceu a jovens, mulheres e idosos que foram votar, inclusive enfrentando problemas de saúde ou de locomoção. Disse que pretende governar para todos os brasileiros, também para quem não votou nele. Para a educação, propôs criar o Pé-de-Meia universitário, inspirado no incentivo financeiro destinado a estudantes do ensino médio. Também prometeu universalizar o Pé-de-Meia nesse nível de ensino e aumentar a oferta de escolas em tempo integral, com o propósito de reduzir a evasão escolar.

Na área de tecnologia, Lula defendeu o desenvolvimento de inteligência artificial brasileira para diminuir a dependência de empresas estrangeiras. Também anunciou que pretende atrair investimentos para data centers, estruturas que processam e armazenam grandes quantidades de informações. A proposta, segundo ele, busca fortalecer a soberania digital, ampliar a capacidade tecnológica do país e manter mais dados brasileiros em infraestrutura nacional. O presidente afirmou ainda que pretende avançar na regulação das grandes plataformas digitais, criticou a atuação de empresas estrangeiras durante as eleições e defendeu que crimes cometidos na internet recebam tratamento equivalente aos praticados fora dela. Também apoiou a tributação das grandes empresas de tecnologia que atuam no Brasil.

Para o SUS, Lula prometeu ampliar o uso de recursos tecnológicos no atendimento e mencionou a implantação de um hospital inteligente e de 15 UTIs inteligentes. A tecnologia deverá ajudar os profissionais de saúde a reconhecer situações de risco e acelerar tratamentos. Ele também disse que quer ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer. Na segurança pública, prometeu aumentar a participação do governo federal em colaboração com os estados para reduzir a violência. Afirmou que a população deve poder trabalhar, circular pelas cidades e viver com mais tranquilidade, e defendeu proteção para trabalhadores e prisão para criminosos.

Lula anunciou atenção especial às políticas para mulheres e idosos. Ao recordar pessoas idosas levadas para votar por filhos e netos, inclusive algumas com problemas graves de saúde, emocionou-se e disse que o próximo mandato terá maior compromisso com o cuidado aos idosos e o respeito às mulheres. Também prometeu ampliar investimentos na economia digital, na economia verde, na economia criativa e nas energias renováveis. Agradeceu à ministra Marina Silva e a João Paulo Capobianco pelo trabalho ambiental e mencionou os resultados do combate ao desmatamento.

Na comunicação, o presidente afirmou que pretende recorrer mais às plataformas digitais para falar diretamente com a população e explicar decisões do governo. Agradeceu ao deputado André Janones pela estratégia de mobilização digital da campanha por meio do canal Exército do Lula; Janones se emocionou durante a fala. Lula reafirmou o compromisso com a liberdade religiosa, o Estado laico e o respeito à Constituição, além de dizer que pretende dialogar com o Congresso Nacional, qualquer que seja sua composição política. Reiterou que governará tanto para quem votou nele quanto para quem não votou. Ao encerrar, prometeu dedicar até 20 ou 24 horas por dia ao trabalho e buscar o melhor mandato de sua trajetória. Agradeceu aos apoiadores e anunciou que iria à Avenida Paulista, em São Paulo, comemorar. As medidas anunciadas dependerão, conforme cada caso, de planejamento, orçamento e decisões administrativas ou legislativas.

Enquanto Lula comemorava, Flávio Bolsonaro anunciou que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação do segundo turno realizado naquele domingo, 25 de outubro. O senador contestou a decisão de Cristiano Zanin, do STF, que estendeu o horário de votação das 17h às 19h após relatos de dificuldades de eleitores para chegar às urnas. Flávio alegou que a prorrogação teria criado desigualdade, pois algumas seções já haviam encerrado a votação quando a mudança foi anunciada, e afirmou não ser possível reconhecer o resultado naquele contexto. Ele não mencionou que também havia pedido ao TSE a extensão por duas horas. A solicitação, feita antes da decisão de Zanin, citava chuvas, alagamentos, interdições e falta de energia em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. O pedido de Flávio se limitava a localidades específicas; a campanha de Lula defendia aplicação nacional por causa de problemas no transporte público. Flávio chamou o episódio de “sacanagem” e disse que não desistiria do Brasil. Até o momento da apuração, havia anúncio de contestação judicial, mas nenhuma confirmação de que a Justiça tivesse determinado anulação. Integrantes do STF e do TSE reconheceram problemas na aplicação da prorrogação, mas consideraram improvável anular o segundo turno.

Com 99,6% dos votos apurados, Lula tinha 64 milhões de votos e Flávio Bolsonaro, 59 milhões. Os números informados eram 51,78%, ou 64.224.880 votos, para Lula, e 48,22%, ou 59.810.673, para Flávio Bolsonaro. O segundo turno somou 13,95 milhões de votos a mais que o primeiro. A abstenção e os votos nulos e em branco diminuíram em relação à primeira votação.