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Sinais do corpo ajudam a investigar a origem de transtornos mentais


Tecnologia brasileira combina dados cerebrais e sinais do corpo para estudar a saúde mental de crianças. (Foto: Instagram)

O que ocorre no corpo e no cérebro de uma criança enquanto ela realiza atividades cotidianas pode ajudar a antecipar o diagnóstico de transtornos mentais. Para investigar essa questão, pesquisadores brasileiros utilizam o MoBILab (Multimodal Brain/Body Imaging Laboratory), plataforma que sincroniza, em tempo real, dados cerebrais, movimentos dos olhos e respostas fisiológicas. A tecnologia integra o projeto Conexão Mentes do Futuro, também chamado Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais (BHRC, na sigla em inglês), um dos maiores estudos mundiais sobre desenvolvimento cerebral.

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Liderado por integrantes do CISM (Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental), o projeto acompanha há mais de 15 anos 2.500 jovens em São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS). A pesquisa busca compreender as origens genéticas e ambientais dos transtornos mentais. O MoBILab já foi instalado no Hospital das Clínicas de São Paulo e no Centro de Pesquisa Clínica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

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A plataforma pode registrar respiração, movimentos do corpo, fala, expressões faciais e aspectos motores e cognitivos. Entre os equipamentos estão um capacete de eletroencefalografia (EEG), óculos para rastrear os movimentos e a direção do olhar e, no cotidiano, uma pulseira para acompanhar sinais fisiológicos. A reunião dessas informações permite estudar o desenvolvimento cerebral e fatores relacionados à saúde mental ao longo da vida.

As avaliações observam o funcionamento do corpo e do cérebro em atividades ligadas ao desenvolvimento motor e acadêmico, assim como diante de situações comuns, como assistir a vídeos no YouTube ou usar aplicativos. O protocolo dura cerca de uma hora e meia. Nesse período, os participantes realizam tarefas como desenhar tracejados com as duas mãos, completar sequências alfabéticas e numéricas, assistir a animações e outros conteúdos no computador e reproduzir sons em um microfone.

De acordo com os pesquisadores do CISM, um diferencial do projeto é acompanhar três gerações: os participantes, seus pais e, agora, seus filhos. A base de dados reúne mais de uma década de avaliações clínicas detalhadas dos participantes. A nova tecnologia será aplicada aos filhos, explica André Simioni, pesquisador do CISM, que fez treinamento para operar a plataforma na sede do Child Mind Institute, em Nova York. A organização sem fins lucrativos é parceira do centro brasileiro.

Simioni afirma que a integração permitirá relacionar trajetórias de vida e diagnósticos dos pais a sinais biológicos dos filhos, como EEG, rastreamento ocular e biossinais. Assim, os pesquisadores poderão observar diretamente manifestações fisiológicas de risco e resiliência, além de contar com relatos dos próprios participantes e de seus pais. A expectativa é que os dados ajudem a antecipar diagnósticos e a personalizar intervenções precoces para futuras gerações.

O equipamento chegou ao Brasil por meio de parceria entre o CISM e o Child Mind Institute, com investimento de R$ 1,5 milhão da Fapesp e da Stavros Niarchos Foundation (SNF) Global Center do instituto. A plataforma também será incorporada ao Módulo IV, núcleo de pesquisa lançado neste ano para promover a saúde mental de crianças, adolescentes e jovens adultos. A iniciativa recebeu R$ 22,8 milhões da Fapesp e da Stavros Niarchos Foundation e se dedica à ciência de dados, neurociência, epidemiologia populacional e assistência em saúde mental. O CISM é um Centro de Pesquisa Aplicada da Fapesp, sediado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e reúne pesquisadores da Unifesp, UFRGS, Unicamp, UniFAJ e UniMAX. O texto foi publicado originalmente pela Agência Fapesp em 20 de outubro de 2026.

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